23 setembro 2014

10 livros

Achei legal a ideia de pensar numa lista de 10 livros marcantes. Vou aproveitar a brincadeira de desafio do Facebook, brincadeira a qual fui convidado pela querida Luciana Bertin e escrever alguma coisa sobre livros que me tocaram e continuam me tocando. Claro que não vou desafiar ninguém. Faço essa lista simplesmente para me divertir e para ser gentil com uma pessoa amável e que me faz lembrar meus primeiros dias da UEL, a estimada Luciana.

Bem, eu já li muito, já li demais. Li muito, mas vivi pouco. Claro, claro meu camaradinha que enquanto eu lia eu vivia. O que quero dizer é que me arrependo de ter lido tanta coisa na minha vida. Não precisava. Daria para cortar mais da metade.

Há uns três anos, como todos sabem, tive uma epifania. Uma das consequências foi que praticamente parei de ler (coisas novas, bem entendido). Hoje gosto muito de reler. É sempre uma nova experiência a releitura. Por exemplo, a releitura de Ilusões Perdidas é uma viagem, não apenas nas aventuras de Lucien de Rubempré, é também uma viagem ao tempo em que li esse livro pela primeira vez. E uma viagem pelos contrastes entre meu eu daquele tempo e meu eu de hoje. Eu e Lucien, eu e Balzac há uns 20 anos e eu nesses últimos 3 anos.

Como sabem também, sou partidário fanático da tese de Schopenhauer sobre leitura. 
O excesso de leitura priva a mente de toda a elasticidade, assim como a contínua pressão de um peso afrouxa uma mola. A maneira mais segura de jamais ter sequer um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre
Hoje passo por um tratamento de desintoxicação bibliográfica. E percebo que o maior veneno são os livros não-ficcionais. Os livros de filosofia, na sua maioria, são uma grande merda. E nem vou dizer o que penso dos livros sobre filosofia.

Vamos à lista. Certamente, se pensasse melhor mudaria algumas coisas. Mas, hoje, ficaria com esses aí de baixo. Há uma hesitaçãozinha sobre se não deveria arrumar um lugar para Tolstói ou mais algum russo. Penso também no maravilhoso Stefan Zweig. Enfim, é o que temos para esse sublime momento.

1. O Vermelho e o Negro - Stendhal
O eu e o mundo

2. Madame Bovary - Flaubert
Tratado da solidão

3. Ilusões Perdidas - Balzac
Sair da infância

4. Orgulho e Preconceito – Jane Austen
Acreditar no amor e entender que ele está ligado à admiração moral

5. Odisséia - Homero
Autoconhecimento, coragem

6. O idiota - Dostoievski
Tumulto das paixões

7. Otelo - Shakespeare
Entender o que significa sentir ciúmes

8. 1984 – George Orwell
Reconhecer a necessidade de exterminar o grande irmão

9. Memento Mori - Muriel Spark
Saber degustar um café, ou, no caso do livro, um chá, mesmo que a morte esteja na porta te aguardando

10. Dom Casmurro - Machado de Assis
Conviver com a dúvida. Autoflagelo mental