31 outubro 2012

Liberdade de expressão

Você é a favor de impor sanções a quem defende certas opiniões contrárias às tuas crenças? Imagine algo retoricamente bem hostil ao que você acredita. Imagine, por exemplo, alguém defendendo abertamente a supremacia de uma raça sobre a outra. Imagine alguém defendendo que homossexualismo é doença ou pecado. Imagine qualquer coisa que golpeie tuas opiniões morais básicas. Você é ainda a favor da liberdade de expressão para os que têm uma visão moral de mundo diferente da tua? Sim? Se sim, então estamos do mesmo lado. E, por coerência, quando defendemos liberdade de expressão não pensamos apenas em nossos colegas que podem sofrer sanções nas PUCs da vida. Não, até porque nesse caso a PUC (PUC-PR) não lesaria a liberdade de expressão se impedisse que seus professores não proferissem determinados discursos. A PUC-pr lesaria a liberdade de expressão se impedisse que pessoas que não têm relação contratual com ela, que nada devem à PUC, a não ser o respeito à liberdade da PUC, fossem impedidas de dizer o que pensam. Vejam, eu sou totalmente solidário ao professor. Mas não vejo as coisas de modo tão claro como alguns vêem. Para mim, há confusão no uso dos conceitos. De todo modo, felizmente, é muito improvável que a PUC-PR aja sem prudência e puna um professor por ter comparado coisas sagradas para os católicos com baseado ou outras drogas. Mas não há um direito à liberdade de expressão dentro de domínios alheios. Gostaria que alguém me provasse isso. Mesmo no querido FB, alguém pode simplesmente defender, de modo mui coerente, a liberdade de expressão e não permitir determinados comentários em seu perfil. Isso é totalmente coerente. Se amamos a filosofia, devemos amar a verdade, ou qualquer coisa parecida com probidade intelectual de quem quer fazer ajustes conceituais elementares em sua compreensão dos fatos do nosso amado mundinho.

P.S: Se alguém ficou boiando, leia:
http://fratresinunum.com/2012/10/18/o-alarmante-estado-da-pucpr/

PS 2: Comentário meu ao comentário de Simone Quiezi no FB: No fundo, eu penso que uma PUC, ou uma UEL, ou qualquer universidade deveriam sempre adotar a política de diga o que pensa, sem nenhum cerceamento. Mesmo satirizações e provocações, se não devem ser estimuladas, certamente deveriam ser toleradas. Eu me inclino mesmo a pensar que os sátiros e os provocadores devem ser estimulados. Pelo menos, eles têm meu aplauso. A PUC-Pr adota uma política sábia em fazer ouvidos moucos aos alunos que reclamam do professor. A meu ver, trata-se da própria sobrevivência da universidade como um espaço de liberdade de expressão. Quero dizer que a PUC-Pr não é movida por amor à filosofia. Ela é prudente e sabe como manter o seu negócio. Mas tudo isso está ainda muito do longe do que eu entendo por liberdade de expressão. Eu entendo a liberdade de expressão como simplesmente a especificação de um modo de exercer a independência do meu arbítrio diante do arbítrio coercitivo de outrem. Logo, tudo que eu falar, seja causador de dores psicológicas nos outros ou não, jamais vai implicar a imposição do meu arbítrio ao arbítrio de outrem. Ou seja, eu jamais torno o outro servo do meu arbítrio se falo o que bem entender, mas o outro que me impede de dizer o que penso, se não tenho com ele um contrato tácito ou expresso que restrinja meu discurso, esse outro sim é quem quer ser senhor de mim. Mas, repito, a discussão que tenho visto aqui no FB foca apenas o caso do professor e isso é um erro. Se falamos em liberdade de expressão, precisamos também repudiar, por exemplo, quem quer calar um ignorante como Silas Malafaia.

2 comentários:

Pedro Bulle disse...

Ou quem tenta impor - não to falando da PUC- um juízo moral sobre o uso de contraceptivos.

Aguinaldo Pavão disse...

Um juízo moral, por natureza, nunca é impositivo, se por impositivo entendermos coercitivo. Um juízo moral apenas louva ou censura algo.