15 outubro 2012

Mentindo sinceramente

todos acabam inventando uma história

"William comprou um álbum cheio de fotografias no mercado de pulgas de Münster. Pagou 120 marcos, mas até pagaria mais. Aquilo era ‘um verdadeiro documento’. Depois começou a tentar entender quem era quem: casou pares abraçados, matou velhos que desapareciam no meio e fez das senhoras das últimas páginas, aquelas meninas das primeiras. Agora mostra o álbum e diz que são seus próprios antepassados. Pra cada um inventa uma história. Afinal todos acabam inventando uma história e, dessa forma, pelo menos William acredita estar mentindo sinceramente". 

(Fernando Bonassi. Passaporte. São Paulo: Cosac & Naify, 2001, p. 38).