(Dwight Furrow. Ética, p.151)
13 novembro 2012
Escolhas incongruentes
“A identidade é o produto de um extenso processo de pensamento, no qual os indivíduos repassam suas vidas e as editam à luz das circunstâncias presentes e expectativas para o futuro, de modo tal que os permita mover-se continuamente em direção ao futuro. As nossas vidas fazem sentido se podemos contar uma história coerente sobre onde temos estado, onde estamos e para onde estamos indo. As histórias que contamos sobre nós próprios envolvem uma série de constantes ajustes de nossa compreensão a respeito do nosso passado e presente à luz do nosso futuro. Por outro lado, se ao tomarmos decisões ou fazermos julgamentos simplesmente pulamos de uma escolha incongruente para outra sem estabelecer conexões com nossas decisões quanto a ligações no passado e planos para o futuro, concernentes a como logramos ser felizes, nossa vida será fragmentada, com pouca conexão com o que importa”.
(Dwight Furrow. Ética, p.151)
(Dwight Furrow. Ética, p.151)
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4 comentários:
Acho que mesmo que tentemos fazer escolhas coerentes com nosso passado, com vistas a um futuro almejado, nossas vidas não estão sob nosso controle. Existem inúmeros acontecimentos que nos viram do avesso e não dependem de nossas escolhas. Acho que a vida não é assim tão plácida, tão obediente às nossas escolhas.
Oi Carina. Obrigado pelo comentário. Se nossas vidas não estão sob nosso controle, elas não são, a rigor, nossas vidas. São as vidas das circunstâncias e nós apenas os seus instrumentos. Se vivemos nossas vidas, se eu vivo a minha vida, é por que de fato ela é minha. Eu penso na vida de seres humanos, não na de seres divinos. Somente eles, se existissem, poderiam além de escolher como nós, escolher em geral as circunstâncias da escolha. Nós humanos escolhemos sob circunstâncias determinadas, mas isso não implica o acolhimento da tese de que nossas vidas não estão sob o nosso controle. No limite, podemos nos matar.
Boa tarde Agnaldo
Penso que não é a linearidade que dá sentido e identidade à vida. Viver implica em escolhas, muitas vezes ( ou sempre) incongruentes ou desconexas entre passado e presente. Quanto ao futuro...é o futuro. Importa que os fragmentos da vida sejam intensos e plenos de identidade. Ao final, são os fragmentos que nos restarão. Se nem eles restarem... voilà!!! Os descontroles e desatinos também fazem parte disso que conhecemos por vida! Viver é cometer excessos entre as estações do racional na busca da coerências das escolhas. Ter coragem para viver com intensidade e, plenamente, incoerente é sim, reconhecer-se dono de si mesmo.
Um grande abraço!
Marcia Bastos
Oi Marcia. Obrigado pelo comentário. Eu não consegui perceber nada que vá diretamente contra a magnânima ideia de que a vida deve ser vivida com intensidade, nem contra a não linearidade de nossa existência. O autor não veria problema nesses pontos. Ele mesmo alude à edição “à luz das circunstâncias presentes” e a “uma série de constantes ajustes”. Provavelmente ele discordaria, e eu também discordo, de que o futuro seja simplesmente o futuro. A propósito, acredito que nenhum mamífero humano vive assim. Certamente você quis dizer outra coisa, ou mais coisas devem estar contidas na tua frase (“Quanto ao futuro...é o futuro”) que eu não entendi. Abraço.
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