Colocados lado a lado na linha de combate
Todo homem na idade de 21 anos, deverá declarar no Templo quais são seus
amigos. Essa declaração deve ser renovada anualmente, no mês de Ventôse.
Se um homem deixa um amigo, é obrigado a declarar seus motivos diante
do povo nos Templos, a chamado de um cidadão ou pessoa mais velha ali presente;
se recusar, será banido.
Os amigos não podem firmar por escrito os seus compromissos; não podem
querelar judicialmente entre si.
Os amigos serão colocados lado a lado na linha de combate.
Os que se mantiverem unidos durante toda a vida serão sepultados no
mesmo túmulo.
O amigo ficará de luto pela morte do outro.
O povo elegerá os tutores das crianças entre os amigos de seu pai.
Se um amigo cometer um crime, seus amigos serão banidos.
O amigo cavará a tumba e preparará o enterro de seu amigo, jogará, ao
lado dos filhos deste, as flores sobre a sepultura.
Aquele que disser não acreditar na amizade, ou que não tem amigos, será banido.
Um homem culpado de ingratidão, será
banido.
Saint-Just escreveu isso nos seus Fragmentos sobre as instituições republicanas. Ele acreditava no
valor jurídico de suas palavras sobre a amizade. Eu acho belíssimo o que ele
escreveu, com a ressalva de que para mim o valor é ético e poético. Vale para o
domínio da virtude, não para o domínio das coerções externas. E tem sentido
poético. Imagine a preparação do enterro do amigo, as flores, a sepultura comum.
Não é lindo eticamente imaginar alguém tendo de expor detalhadamente os motivos
pelos quais abandona um amigo. Digo eticamente, logo somente por autocoerção. Pense
na condição humana de alguém que descrê da amizade. Pense nas pessoas que acham
que há algo que tenha mais valor na vida do que uma verdadeira amizade. Bem, mas aí já saímos
da poesia e voltamos a imaginar as errâncias humanas, dando máximo valor aos valores meramente condicionais. (oh, que chorão!)
Sobre amizade, veja:
Amizade, queixas e recriminacoes


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