30 agosto 2017
O monstro do egoísmo dentro de mim
Estava no Fuad, dividindo minha aprazível solidão com a Sra. Heineken e a história da garota Greco. Foi então que um ser humano se aproximou de mim e pediu umas moedas para comer ou usar crack, não me lembro bem. Eu o olhei, sacudi um bolsinho da mochila e percebi que tinha umas moedas ali. Peguei algumas e dei pra ele. A pessoa saiu agradecendo, dizendo “Deus que te abençoe” e tal. Eu: “muito obrigado”. Talvez esse “muito obrigado”, no lugar do tradicional “amém”, tenha incomodado o camarada e ele então parou, me encarou com seriedade e perguntou: “o senhor está estudando ou lendo a Bíblia?” Eu, que estava apenas inocentemente lendo o belíssimo livro A amiga genial, presente da Any, disse, sem dar muita atenção para a pergunta, "estou estudando" - e continuei minha leitura.
Fui insensível com o homem, sim, fui e me penitencio agora. Mas é foda quando te tiram do universo paralelo que você cria e te convocam à realidade insípida. Tudo bem que a Heineken me ajudou um monte e eu pude rapidamente voltar a Nápoles dos anos 50 e 60 narrada por Elena Ferrante.
