03 agosto 2017

Lindos professores

Geralmente, tendemos a ver com reservas discursos de autoglorificação. E isso é muito salutar para nossa higiene mental. Mas é curioso que, em alguns casos, penso na atividade profissional de professores, seja fácil obter aplausos com discursos de autocanonização. Discursos autocríticos são raros. E a maior autocrítica talvez devesse consistir apenas em reconhecer que somos humanos, ou seja, animais passionais, sujeitinhos deveras parciais. A busca da verdade, os sacrifícios pela educação, a nobre função social de preparar crianças e jovens para o mundo.... Hum... Ok. Ok, impossível negar isso. Mas há também, especialmente em algumas áreas, como na filosofia (ou em alguns filósofos), a lição de que devemos segurar a onda romântica de autoconsagração, pois ela é uma hybris, uma desmedida verbal ingênua e, às vezes, meramente ideológica, um esquecimento de nossa humanidade impura e repleta de interesses.