12 julho 2017

Gloriosos homens das letras

“A ciência não consiste em saber conhecer, mas em saber responder e arguir; por isso quem mais disse, é quem mais soube: as letras não se costumam tomar pelo peso, mas pelo volume; fazem-se recomendáveis pela extensão; o ponto é que cresçam na quantidade; a qualidade é matéria indiferente: elas não avultam pelo que são, mas pelo que soam; regulam-se pelo aparato, e não pela sustância; estimam-se pelo que parecem, e não pelo que valem; o que importa nelas, ter no exterior brilhante falso, cujo resplendor furtado escandalize os olhos de quem o quiser ver de perto; basta que a atenção fique assombrada com o aspecto de uma imagem nova, e ainda que na verdade não seja mais que um fantasma; a superfície deve estar coberta de uma claridade intensa e forte; o fundo seja embora confusão, cegueira, caos”.

(Mathias Aires. Reflexões sobre a vaidade dos homens)