Gosto destas palavras, que abrandam e moderam a temeridade de nossas asserções: “talvez”, “de certo modo”, “algum”, “dizem”, “acho”, e outras semelhantes. E, se tivesse precisado educar crianças, tanto lhes teria posto nos lábios este modo de responder inquiridor, não resolutivo: “O que isto quer dizer?”, “não estou entendendo”, “poderia ser: é verdade?”, que elas teriam conservado aos sessenta anos o jeito de aprendizes ao invés de aos dez anos fazerem papel de doutores, como fazem. Quem quiser sarar da ignorância tem de confessá-la. [...] A admiração é fundamento de toda a filosofia; a investigação, sua progressão, a ignorância, seu fim.
(Montaigne)
Claro que para muitos isso é deveras conveniente. Assim, eles fazem pose de "ui, olha aqui o filósofo todo sutil te ouvindo". Às vezes, serve também para a ignóbil covardia intelectual. Mas, na boa, quando sinceras, essas palavras me agradam uma barbaridade.