Não foi tão agradável perceber como são precárias as condições de conforto do modesto aeroporto de Aracaju. Mas era a volta ao querido lar, então vamos nessa.
Na cabeça minhas células cerebrais ainda continuavam fervilhando. Teria sido Schopenhauer o defensor de dois sentidos de virtude, a virtude moral, que não se pode ensinar, e igualmente daquelas virtudezinhas ensináveis dos Aforismos para a sabedoria de vida? Ó, dúvida cruel. E Kant, o nanico de Königsberg, o duende alemão, teria fracassado em sua tentativa de justificar a obediência política? A balança, uma que eu uso sempre em benefício próprio, pendia para o lado de um só sentido de virtude em Schopenhauer (o resto, a ensinável, é um espectro do Schopenhauer), assim como se inclinava fortemente para o lado da corrente de leitores que, seguidores de minhas originais intepretações, reconhecem que o queridinho Kant não é bom em tudo e fracassou mesmo.
Londrina distante, mas é a volta e logo ela chega, ou melhor, logo chegamos até ela. E cheguei, cansado, mas com uma satisfação inefável de ter vivido os meus mais sublimes dias filosóficos, dias em que tive o prazer de, ao menos, cruzar por figuras excêntricas e profundas que são autênticos filósofos brasileiros e não apenas burocratas dedicados a decodificar o sentido de uma proposição numa frase do seu dileto filósofo. O que não se vê na Anpof é alguém preocupado em apenas fazer comentários. Só há filósofos nesse maravilhoso encontro de filósofos. A vida nunca mais será a mesma.