Se o camarada é pobre, tem pouca ou nenhuma formação técnica ou acadêmica, ele - dizem os sábios - é forçado a aceitar o trabalho que lhe oferecem. Se uma mulher aceita ser desrespeitada sistematicamente pelo seu marido, isso se deve à cultura machista em que vivemos. Se você compra um produto por R$ 99,99, então você foi vítima da perversa intenção dos comerciantes de te iludir.
Errado. Do fato de alguém ser pobre, ter pouca ou nenhuma formação técnica ou acadêmica, não se segue que ele seja forçado a aceitar o trabalho que lhe oferecem. A rigor, se ocorresse coerção, ele seria forçado a assinar um contrato, ou pura e simplesmente teria de trabalhar contra a sua vontade. Mas é isso que acontece? É triste, desolador, mas isso acontece mesmo - na cabecinha de algumas pessoas.
Se a mulher não abandona o marido que a agride, não estando ela em regime de cárcere privado (ou qualquer coisa que você queira imaginar que envolva coerção), então essa mulher está dando o seu assentimento à condição em que se encontra (sai o machismo e entra a responsabilidade individual). Deveras trivial.
A pessoazinha que compra a camiseta de R$ 99,99 comprou porque quis (de novo, pense que ela não foi vítima de coerção ou do seu análogo moral, a fraude). Os comerciantes querem te iludir que a camiseta não custa R$ 100,00? Mas não custa isso, custa R$ 99,99. Eles querem que você, ao ler o preço, pense que custa 90,00? Quando você se depara com R$ 99,99, você decodifica isso para R$ 90,00? Procure um médico e não o Procon.
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Se você pensa diferente de mim, provavelmente você vai concordar com o artigo que saiu no JL de hoje, “Cérebro do consumidor” (do professor de Fisiologia Humana do Departamento de Ciências Fisiológicas da UEL, José Luciano Tavares da Silva).

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