Começa segunda-feira próxima, dia 06 de outubro, em Canela (RS), o XIII Encontro Nacional de Filosofia da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof). Eu gosto dos encontros da Anpof. Como não tenho expectativas outras que uma discussão com colegas dos GTs kantianos Kant e Criticismo e Semântica, dou-me por satisfeito com o que acontece. Algumas boas comunicações, alguns bons debates, rever amigos e colegas. Discussões às vezes inflamadas nos corredores e bares. Enfim, politicamente míope, não vejo toda a engenharia conspiratória que alguns vêem. Também tenho a vantagem de participar de um GT em que os debates são francos. Ninguém fica querendo fazer cafuné no outro. Diz-se claramente: discordo, penso que você está errado. E essas discordâncias, por vezes duras, não levam ninguém a choramingar no canto da sala, nem maquinar intrigas no outro canto. O grupo Criticismo e Semântica tem uma boa experiência em debates intensos. Os colóquios Kant em Campinas são, certamente, uma referência e tanto. Abaixo segue o resumo da minha comunicação. MAL RADICAL, LIBERDADE E IMPUTABILIDADE EM KANT
Aguinaldo Pavão
(Prof. Filosofia UEL-PR/ GT Criticismo e Semântica)
Embora Kant não se ocupe de forma ostensiva com a imputabilidade moral, talvez não seja um exagero declarar que toda a sua reflexão moral gire em torno desta questão. Kant chega a afirmar nos Progressos da Metafísica que “a fonte da filosofia crítica é a moral, em vista da imputabilidade das ações” (PM: Ak 335). Essa afirmação não deve nos surpreender, pois já na CRP Kant declara que é a partir da idéia transcendental da liberdade que se constitui o “conteúdo da espontaneidade absoluta da ação como fundamento próprio da imputabilidade da mesma” (CRP B 476). Ainda que se deva reconhecer a possibilidade do esclarecimento da imputabilidade a partir de recursos conceituais internos à FMC e CRPr, é possível defender – e essa será a principal tarefa do trabalho - que apenas na primeira parte da Religião, com o notável aprimoramento da concepções de liberdade e arbítrio, do bem e do mal, Kant consegue explicar satisfatoriamente os juízos de imputação moral. Na primeira parte da Religião é inegável a preocupação com a imputabilidade. São impressionantes as numerosas ocorrências do verbo imputar (zurechnen), imputação (Zurechnung) e imputabilidade (Zurechnungsfähigkeit). Fazendo um levantamento manual, podemos encontrar, nas páginas da I parte da Religião (B 3 - B 63), 17 ocorrências desses termos. É claro que alguém poderia rapidamente objetar que o alcance desse fato não tem qualquer força demonstrativa. Julgo, contudo, que essas ocorrências não são frutos do acaso. O trabalho procura mostrar que tais ocorrências sinalizam uma clara preocupação de Kant em tentar, na Religião, ajustar a sua filosofia moral de modo a que ela possa convincentemente explicar a natureza da imputação moral.
Um comentário:
Ao "Anônimo".
Por favor, me mande tua identificação. Ok?
Abraço.
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