30 abril 2008

Ética e jornalismo

Segue abaixo comentário que deixei no Blog http://eticanarede.blog.terra.com.br/ a respeito de um post sobre o comportamento da imprensa no caso de invasões do MST. Eu tive conhecimento deste Blog devido a uma entrevista que dei às alunas responsáveis pela página (entrevista que ainda não foi publicada e nem sei se será - se não for, publicarei aqui nas proximas semanas).

Parabéns pelo post.

O assunto é muito interessante.

Peço, porém, licença para discordar de alguns pontos.

1. É dito no post que o Jornal Nacional buscou a criminalização dos camponeses. Estranho ler isso de quem milita no jornalismo. Se o compromisso é com a verdade, como li no final do post, quando é citado o art. 4 do Código de Ética dos Jornalistas, deveria ser dito que é ocioso tentar criminalizar algo que é um crime. Ora, o que diz o artigo 202 do Código Penal?

2. É dito também no post que “o telespectador que não está por dentro dos últimos acontecimentos simplesmente ingere a informação imposta de forma passiva e não questiona, ou reflete sobre o que lhe foi imposto”. Vejam: nada foi imposto ao telespectador. Em nenhum momento a sua capacidade de questionar e refletir é prejudicada. Um consumidor de informações jornalísticas supostamente (uma vez considerado um ser racional) é responsável pelo que assume como verdade. A culpa nesse caso é do consumidor. Ele precisa saber que são informações que podem estar sendo transmitidas com alguma distorção. Ele pode perfeitamente procurar outras fontes de informação a fim de qualificar sua opinião sobre o fato. Ressalto, em nenhum momento há imposição. Nenhum meio compulsório é usado para que o telespectador reste impedido de questionar e refletir.

3. O tal Sr. Salles fala em prejuízo ao povo brasileiro ao se referir à privatização da Vale do Rio Doce. Essa é apenas a opinião equivocada deste senhor. Será que ele não sabe o que significa um leilão?

4. Qual o problema de um órgão de imprensa visar a interesses puramente mercadológicos? Vejam, no limite um órgão de imprensa que faz isso, ou seja, nada busca além de recompensas monetárias, não alcança seu objetivo de ser recompensado monetariamente. É uma burrice! O que pode ocorrer e ocorre é a busca de interesses mercadológicos como móbil principal. Felizmente, vivemos no capitalismo. E não está demonstrado em nenhum lugar que procurar a satisfação e interesses mercadológicos, por si só, seja algo antiético.

Obrigado.

2 comentários:

Unknown disse...

Este pessoal esquerdista que acredita que a mídia impõe algo ao telespectador deveria ler o que Descartes escreve sobre a relação do gênio maligno com o sujeito do conhecimento. No limite, somos livres para, ao menos, suspendermos o juízo.
A mídia é poderosa, porque o público decide aceitar tudo acriticamente. É mais cômodo. O anseio do público por ter opiniões e tagarelar sobre tudo sem parar não é acompanhado pelo gosto no trabalho de pesquisa. Em suma, o homem é culpado de sua própria minoridade, para não esquecermos também da lição de Kant.
Abraços
Andrea

Aguinaldo Pavão disse...

Pois é, Andréa. Tem razão. E o pior: fogem do debate. Adoram proclamar suas crenças e "discutir" com quem concorda.
Abraços.