02 novembro 2007

Tropa de elite


Gostei de assistir ao filme. É bem verdade que aquela frase na tela logo no início é desanimadora. O seu patente equívoco provocou em mim uma ligeira inclinação a achar que o filme seria uma defesa daquela tese. Talvez o roteirista e diretor até tenham pensado que a citação seria autenticada pelo filme. Mas eu não vi nenhuma confirmação dela ao longo da história.
Bom, o filme é interessantíssimo. Um pouco de drama, tensão, violência, ação. Cenas eletrizantes. Logo depois de me recuperar da infeliz citação inicial, me deixei levar pelo ritmo como o filme conta a história do Capitão Nascimento. A partir daí, é como se eu não tivesse percebido o tempo passar e logo o filme já estava terminando.

Mas, naturalmente, quem viu o filme ou tem alguma informação sobre ele sabe que não se trata apenas de um produto de entretenimento. O filme provoca nossas idéias, nos impele a tomarmos uma posição acerca do tema da violência. O que deveria ser feito? A produção em série de Capitães Nascimentos? Talvez. Mas o filme não tem apenas uma tese, e a principal não é simplesmente a defesa de uma vigorosa atuação de policiais honestos e lutadores incansáveis contra o crime. O filme prega que a culpa pela violência é dos usuários de drogas. A meu ver, essa tese está errada. Ela estaria próxima da verdade se apenas enfatizasse o fato da maioria dos usuários serem mentalmente frouxos, incapazes de defenderem o princípio que os beneficiaria, isto é, o principio da liberdade individual. É que isso talvez os conduzisse a terem de reconhecer que uma Souza Cruz da vida é quem deveria vender seus cigarros e demais drogas e não um traficante. Ou seja, eles teriam de admitir que o amaldiçoado capitalismo é quem poderia ir ao encontro de seus interesses.

Direi por que não concordo com a tese principal do filme. É simples: façamos o experimento mental de imaginarmos que, certo dia, no Rio de Janeiro, todas as pessoas até então consumidoras de drogas tivessem decidido parar de consumir drogas. Ninguém mais estaria, como apregoa o filme, a financiar o tráfico. Mas eu pergunto: personagens como o “baiano” iriam fazer o quê? Iriam procurar emprego? Iriam estudar? Parece-me fácil a resposta: iriam continuar no mundo do crime. Apenas mudariam de ramo. Ademais, em Nova Iorque se consome mais droga do que no Rio e não há a mesma violência. Logo, a causa da criminilidade e da violência retratada no filme não são os maconheiros burgueses.

18 comentários:

Anônimo disse...

Aguinaldo, os maconheiros burgueses não são os únicos causadores da criminalidade e da violência, isso é um tanto óbvio, seria muito fácil jogar a culpa em cima deles que, de certa forma, também são vítimas, mas contribuem sim para a manutenção desse sistema e este é um fator relevante. Segue a idéia clichê, porém verídica: A nossa sociedade é forma por individuos, e uma pequena contribuição individual gera uma grande consequência para a coletividade. Concordo quando você diz que personagens como o "baiano" não teriam muita opção se deixassem de traficar, mas crianças e jovens podem vir a ter. Explico: O financiamento do tráfico é também uma forma de deixar o governo sossegado (governo tão criticado pelos estudantes de direito, filosofia e ciências sociais em geral), pois, afinal, eles não precisam de políticas públicas de ensino, não precisam de oportunidades de empregos...Para que, se podem traficar? É isso que os estudantes precisam enxergar. É claro que não basta parar de usar drogas - mesmo porque essa não é uma questão tão simples de ser resolvida, ainda mais no que diz respeito a drogas mais pesadas, que causam grave dependência física...Não quero entrar no mérito desta questão por hora, por isso meu comentário se concentra no uso da maconha pelos estudantes, que é a droga mais difundida entre eles, ou melhor, entre nós, pois também sou estudante - é necessário também instrução, conscientização político-social e engajamento, mas...Os anos 70 estão no passado, e foi-se a época em que fumar maconha era uma "boa" forma de afrontar o governo. O que vejo atualmente, e isso me entristece, é um bando de estudantes pseudo-intelectuais militantes utilizando argumentos rasos e alienados (sim, existem estudos empíricos que provam a diminuição da percepção causada pela maconha, acentuada com o uso contínuo), para criticar o governo, dentro de suas casinhas, fumando um baseadinho básico. É defendar a "paz e o amor" com a bandeira da violência...A maconha provoca inépcia nos usuários e contribui para a manutanção da inépcia do governo. Faço ainda uma outra consideração a respeito de sua postagem: A "infeliz" citação inicial do filme deve ser respeitada, ao menos como tese da psicologia social, uma ciência empírica, já que vc gosta tanto. Confesso que algumas vezes também acho seus escritos infelizes, principalmente por ser professor de filosofia, nem tanto por suas idéias, pois algumas são realmente interessantes (e mesmo as que não acho interessantes, respeito), mas especialmente pela arrogância argumentativa presente em alguns textos...Um professor precisa de humildade, o professor ensina, mas também aprende. Todos nós aprendemos, sempre. Espero, portanto, que meu comentário tenha contribuido de alguma forma, assim como seu texto contribuiu para minha formação e reflexão, e por isso te agradeço: Obrigada.

Anônimo disse...

"em Nova Iorque se consome mais droga do que no Rio e n�o h� a mesma viol�ncia"

Nossa, s�rio? Porque ser�?

'Sorry', a realidade social dos dois paises s�o, digamos, suficientemente diferentes para refutar esse tipo de compara�o.

Compara�o incompar�vel...

Aguinaldo Pavão disse...

1) Ao comentário quase-anônimo de Talita S. F:
a) Discutirei contigo o que significa ser arrogante e o tema da violência e drogas tratado pelo filme depois que você informar tua identidade.
b) Se você procura em meus textos humildade, o meu conselho é: desista.

2) Ao comentário anônimo:
a) Não responderei a você, ou seja, não te direi por que a comparação só pode ser feita entre coisas diferentes se você não se identificar. Depois, tentarei explicar o que significa uma COMPARAÇÃO. Suspeito que você não saiba o que significa.

Aguinaldo Pavão disse...

comentários anônimos
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Vagner disse...

professor,
posso até concordar com a sua "critica" a tese principal do filme. utópico pensar que todos iriam parar de usar drogas (tem gente que se sente bem assim e são livres para isso) utópico tb pensar que pessoas como o "baiano" deixariam o crime e riam procurar emprego para ganhar salario minimo. iriam estudar? disputariam vagas nas universidades publicas? provavelmete nao.

penso que para diminuir a violencia é preciso mais do que acabar com usuarios de drogas, legalizar as dogras, fazer assistencialismo (promovido por igrejas, governos, ONGs...) para a diminuição da violencia é preciso um trabalho de base, pensar na formação integral do ser humano, em todas as suas dimensões,(desde a mais tenra idade, nao depois que já se tornaram "marginais") aqui penso que a educação tem um papel fundamental, se a maioria dos "baianos" tivessem a possibilidade de ter acesso a educação e condiçoes para desenvolver o que aprendem a violencia nao iria acabar (mais uma utopia) mas penso que diminuria significativamente.
É aquela velho historia de pensar que a educaão pode resolver os problemas, mas penso que parcialmente ainda vale.
abraço

Aguinaldo Pavão disse...

Vagner.
Em linhas gerais, concordo contigo. É bem verdade que não penso que os seres humanos deixarão de consumir drogas, tampouco defendo que eles devam deixar de consumi-las. Realmente a educação (formação moral, informação, conhecimento) é importante. O problema é como viabilizar isso. Não acredito que seja ficar chorando por ação estatal.
Abraço.

Vagner disse...

professor,
lendo o final da terceira parte da nona seção da antinomia da razão pura, percebi que Kant defende a ideia de que a razão é a "condição incondicionada de toda a ação de arbitrio" (+-§582) quando ele dá o exemplo de uma mentira maldosa ele afirma essa ação poderia ser evitada, e que nada do que anteriomente o sujeito tivesse vivido, sua indole infeliz ou ainda as circustancias que sobre ele influenciaram, poderia determinar o ato da mentira, tendo em vista que ele pode, pelo dominio intelegivel, iniciar uma cadeia causal, logo esse ato poderia ter sido evitado. (§583)
Assim a frase do inicio do filme nao se sustenda no pensamento kantiano, pois as influencias do meio nao podem condicionar o comportamente de alguem de forma que este venha a perder a liberdade. É isso???

Aguinaldo Pavão disse...

Vagner.
Muito interessante o que você escreveu. Está no caminho certo. Mais detalhes em aula ou por e-mail.
Abraço.

Anônimo disse...

Aguinaldo:
Cheguei atrasado para essa discussão, mas acho que ainda dá tempo:
Concordo em parte com o argumento de que o usuário de drogas é mentalmente frouxo. Concordo em afirmar que os usuários de drogas brasileiros de todas as classes são mentalmente frouxos, talvez não porque são usuários de drogas, mas talvez antes por serem brasileiros. Porém, se agora não há defensores do uso de drogas, e Marcelo D2 é e foi somente um imbecil, isso não quer dizer que não se pode discutir seriamente o uso de determinadas drogas. Só pra citar alguns ativistas do uso de drogas: Hunther S. Thompson, Timothy Leary, William James, Frank Barron, Aldous Huxley, Allen Ginsberg, Neal Cassady, Arthur Koestler, Jack Kerouac, Richard Alpert, Ralph Metzner, Robert Gordon Wasson, William Burroughs e Walter Houston Clark, enfim, páginas e páginas para informação e formação.
Discute-se se o filme é ideológico, se é intencional, se é de esquerda, de direita, facista, se o argumento principal é se o usuário é responsável pela violência, entretanto, não se discute a liberdade individual. E é nesse ponto que o seu comentário fez a diferença.
Mas o objeto do filme não são as drogas, as drogas são apenas paisagem, o objeto é a violência e sobre isso não tenho nada a acrescentar. Quanto à produção em série de capitães Nascimento, não é preciso produzi-los, já estão aí: em qualquer batalhão da polícia militar, seguranças de empresas privadas, militares etc. Ogros aos borbotões. E sobre a atuação de policiais honestos, bom, quero separar aqui, um argumento: Em uma discussão sobre o filme no Blog do Idelber Avelar, não sei ao certo quem afirma que não viu conduta desonesta no Capitão Nascimento. Acredito que isso é relativo. No estrito cumprimento do dever legal, o Cap. Nascimento foi desonesto? Quanto a sua estratégia em arranjar um substituto o Cap. Nascimento foi desonesto? É certo que ele aproveitou da fraqueza moral de um aspirante para atingir seus objetivos. O certo é que não acredito que Capitães Nascimentos tenham capacidade para tomar decisões morais, falta-lhes uma certa sensibilidade. E assim, a honestidade nesses casos será quase sempre subvertida.
Ainda sobre as drogas:
As drogas deveriam ser simplesmente proibidas ou legalizadas por intervenção estatal? Não há uma terceira ou quarta possível solução? Pois, o que está em discussão é a liberdade do indivíduo em ministrar determinadas substâncias em seu corpo, e também produzir essas substâncias. Pois, se ocorresse a intervenção estatal, nos aproximaríamos muito das distribuições de soma, do Admirável Mundo Novo, de Huxley.
E mais um ponto. Desculpe, Aguinaldo, mas não há como deixar de comentar o post da aluna de Direito, e tomo a liberdade de me dirigir diretamente a ela:
Estudos sobre a queda de percepção causada pela maconha?? Onde? Qual a fonte? É piada, né? E sobre questionar a humildade do autor do blog??? Humildade?? Vindo de um aluno de Direito? É no mínimo curioso. Governo criticado pelos alunos de direito? Mais uma piada. E falar em pseudo-intelectuais?? Acorda, projeto de rábula (aqui eu renovo o conceito de rábula)! Os pseudo-intelectuais são os próprios alunos do curso do qual você faz parte, incluindo você. Quer ter autoridade intelectual? Renege a sua maternidade intelectual, apodrecida desde suas fundações.
“É dever de cada pessoa livre, é uma responsabilidade patriótica de cada cidadão americano, opor-se às tentativas dos políticos, da polícia e das autoridades médicas de controlarem o que os adultos colocam dentro de seus corpos. O lema, evidentemente, é ‘Just say Know.’” Timothy Leary, dezembro de 1989.

Anônimo disse...

Lugares diferentes...posições diferentes...visões diferentes!

"...o filme prega que a culpa pela violência é dos usuários de drogas."
NÃO. Não o percebo assim. O filme dentre tantas coisas que busca nos mostrar, mostra à exaustão UMA entre as diversas práticas delituosas que fomentam a violência..e a meu ver esta tese não está errada.

"... a maioria dos usuários serem mentalmente frouxos, incapazes de defenderem o "princípio" que os beneficiaria."
NÃO. Qual princípio beneficia criminosos?
Ante o desrespeito ao PRINCÍPIO constitucional da LEGALIDADE e existindo uma LEI em vigor que diz que fumar e/ou traficar é CRIME... estes outros princípios são abstrações e matéria para discussões filosóficas... ou o policial honesto que trabalha na rua, no seu entender, também possui este direito(princípio) de achar que esta ou aquela LEI é certa ou errada? A Lei diz: FUMAR MACONHA É CRIME! Rousseau também diz: Lei é lei e deve ser cumprida...sua legitimidade é que pode ser discutida!
Ok, Sr Rousseau, enquanto filósofos, estudantes, políticos, traficantes e criminosos em geral "DISCUTEM" a legitimidade da lei, eu, um policial honesto, DEVO FAZER O QUÊ?

"...façamos o experimento mental de imaginarmos que certo dia, no Rio de Janeiro, todas as pessoas, até então consumidores de drogas..."
NÃO. Esse parágrafo, parece passar "do lado", "esquecer-se" de que na pobreza das favelas há sim moradores que vivem e trabalham honestamente (são policiais e professores assalariados, domésticas, vendedores, metalúrgicos etc.)

Enfim, caríssimos doutores, poderíamos fazer vários parâmetros nesta infindável discussão...
MAS CUIDADO: As mesmas pessoas que defendem "o princípio da liberdade individual" em detrimento ao estipulado na LEI...como o ato de fumar/traficar maconha...por conseguinte, infringindo a lei são os mesmos que acham um absurdo o uso do "saco plástico".

E para o policial honesto e cumpridor das LEIS, O que há aí??

Nos dois casos...CRIMES!

Everaldo - 1º Tenente BM/RS

Aguinaldo Pavão disse...

Meu querido Everaldo.
Muito obrigado pelo comentário.
Quando assisti ao filme, pensei em você.
Até que enfim. Um belíssimo comentário! Vamos ao debate.
Em nenhum momento do meu post eu defendo comportamentos ilegais. Defendo que as pessoas que usam drogas deveriam ser mais ativas e defenderem o princípio da liberdade individual. Isso não significa que elas, ao defenderem o principio da liberdade individual se tornarão, apenas por isso, isentas das responsabilidades jurídicas pelos seus atos. Acontece que, em geral, vejo usuários que sequer percebem o que poderia servir de principio legitimador ao consumo de drogas. Eu defendo a total ilegitimidade da proibição do uso e comércio de drogas. Do ponto de vista do que considero legítimo, não vejo nada de criminoso em alguém causar danos contra si mesmo. Crime é você prejudicar outrem. Se um indivíduo lê Paulo Coelho, fuma Free, bebe Bohemia, o problema é dele. E se ele quiser consumir maconha, cocaína, heroína e demais drogas o problema também DEVERIA ser dele. Mas veja, também defendo que as leis devem ser cumpridas. Não há contradição entre as duas coisas.
Ademais, há crimes e crimes. Tanto que, ao usuário, a lei dá um tratamento bem leve e ao traficante um tratamento pesado. Está errada a lei, pois é uma relação de compra e venda e tanto comprador como vendedor deveriam ser considerados como sujeitos livres.


Você escreveu:

"...façamos o experimento mental de imaginarmos que certo dia, no Rio de Janeiro, todas as pessoas, até então consumidores de drogas..."
NÃO. Esse parágrafo, parece passar "do lado", "esquecer-se" de que na pobreza das favelas há sim moradores que vivem e trabalham honestamente (são policiais e professores assalariados, domésticas, vendedores, metalúrgicos etc.)

Eu não quis sugerir isso. Estava me referindo ao criminoso, que no filme tem o nome de “baiano”.

Grande abraço.

Anônimo disse...

Querido Aguinaldo!

Obrigado pela "leveza" da tréplica.
És um CAVALHEIRO.
As vezes meus sentimentos (emoção) traem a almejada lucidez de raciocínio (razão)...desculpe-me.

Um forte abraço.

Nicolas C. Piocoppi disse...

Olá Aguinaldo.
Será que você teria como me passar algum material do trabalho de Ross sobre o Aristóteles? Agradeço.

Abraço.

Anônimo disse...

Aguinaldo.
Boa tarde, sou estudante de Direito do 4° ano e meu nome é Marcela.
Respeito muito o seu ponto de vista em determinados comentários, assim como respeito o ponto de vista de qualquer pessoa técnica no assunto, bom, indo ao ponto, só discordo com o fato de você considerar ilegitimo a proibição do consumo de drogas defendendo algum tipo de principio de liberdade individual. No meu ponto de vista, se o individuo usa uma droga com grave dependencia fisica ele deve ser encaminhado para uma clinica, porque qualquer pessoa que esta sob o efeito de alguma droga forte se torna um animal, não no sentido pejorativo, mas sim porque se torna uma pessoa imprevisivel, muitas vezes violenta e quase que incontrolavel, podendo causar grandes danos sim a coletividade, de que forma? quando furta os próprios pais, amigos, quando chega a se vender por isso, quando comete um homicidio por isso, e inumeros outros crimes que todos nós sabemos que existem. Se essa parte do assunto lhe é desconhecida, o conviduo a visitar uma clinica de dependentes quimicos, tive a oportunidade de trabalhar em uma e eles mesmos dizem que se forem tirados de la vão acabar matando a si e a todos que estao ao seu redor.
Eu concordo que o consumo de drogas deve continuar sim sendo proibido, em nome da coletividade, preservação, o Direito jamais deve ser repressivo, ele tem carater preventivo e se for legalizado o consumo de drogas a criminalidade fatalmente ira aumentar, acho que quanto a isso ja estamos tendo um problema sério por conta a estrutura fragilizada da educação e a preocupação mitigada dos nossos governantes.
Com relação aos prinipais usuários, não há nem porque isso ser discutido, tanto classe baixa, como alta, como em qualquer outra, existem individuos que consomem drogas, enfim, só queria fazer um comentario quanto à sua observação sobre legitimar o uso de drogas.
Grata

Aguinaldo Pavão disse...

Prezada Marcela
Muito obrigado pela visita e comentário.
Permita-me fazer duas observações ao teu ponto de vista.Primeiro, acho que precisamos reconhecer que nem todos os usuários de, por exemplo, maconha e cocaína, são dependentes físicos. Muitos são usuários eventuais. São pessoas que conduzem suas vidas de modo plenamente compatível com as regras de sociabilidade. Segundo, mesmo aqueles usuários que são dependentes físicos têm (devem ter) o direito de consumirem drogas e destruírem suas vidas do modo como quiserem. O Estado somente deve entrar em ação quando eles atentarem contra a liberdade de outras pessoas. Mas, nesse caso, não tem importância se eles consomem drogas ou não. O que tem importância é a ação que gera um obstáculo à liberdade dos demais. Deve-se punir a ação que transgrediu o princípio da liberdade. Não interessa se o indivíduo tomou todas, se ele tem um nariz de ferro, se ele está irritado, tomado por uma indomável paixão. A propósito, ele pode ter tomado todas, cheirado quilos, estar colérico, enlouquecido por uma paixão e não cometer nenhum ato que atente contra a liberdade dos outros.
Abraço.

Ana Cláudia disse...

Olá Agnaldo!
Não sou contra a legalização do uso das drogas, mas de uma forma meio que hipócrita tenho que confessar, sou a favor, simplesmente porque acho que legalizando, o Estado poderia ter um controle mais efetivo na comercialização e poderia impor regras que dificultasse o acesso do menor, entre outras medidas preventivas e de esclarecimento.
Sou Policial Civil e acredito que as drogas e a violência estão intimamente ligadas, e, não conclui isso, através de leitura de revistas ou jornais. Acompanho diariamente esta relação pessoalmente e posso afirmar: a grande maioria dos casos relacionados aos furtos, roubos, lesões sérias, homicídios, dentre outros crimes, estão relacionados ao uso de drogas ou a busca de recursos para sua obtenção. Portanto, embora possamos reconhecer segundo suas palavras:
“que nem todos os usuários de, por exemplo, maconha e cocaína, são dependentes físicos. Muitos são usuários eventuais. São pessoas que conduzem suas vidas de modo plenamente compatível com as regras de sociabilidade.”
Precisamos encarar que a educação não é levada a sério no Brasil e que o maior número de envolvidos com drogas são pessoas de pouca instrução, ou nenhuma, de baixo poder aquisitivo e que, geralmente, utilizam-se da prática de crimes para a aquisição. Destruindo, em muitos casos, não apenas as suas próprias vidas.
Não tenho dúvidas quanto à importância da liberdade individual, contudo, num país onde a educação não é levada a sério, os jovens mal educados, de pouco discernimento, acabam sendo presas fáceis daqueles para os quais o usuário eventual não é interessante, e sim, o viciado.
Tenho acompanhado casos muito tristes. Isso foi um desabafo.

Grata.

Aguinaldo Pavão disse...

Oi Ana Cláudia.
Obrigado pelo comentário.
Sou contra qualquer tipo de lei que estabeleça positiva ou negativamente (obrigando ou proibindo) ações que digam respeito ao que o indivíduo considera (ou deveria considerar) que é bom para ele. A meu ver, o grau de instrução de indivíduo nunca pode ser usado como um critério de autorização para que um outro, o Estado, decida por ele o que é bom para si. Sendo assim, minha posição sobre as drogas é simplesmente moral.
Acerca das circunstâncias, consequências e dados empíricos em geral minha inclinação, por conseguinte, é ponderá-los acessoriamente.
Abraço.

Maira Elisa Knihs disse...

Caro Professor, ontem assisti ao filme novamente e reparei na citação logo no início do filme. Não consegui terminar de ler, mas pelo que captei, não concordo. O Senhor pode me infomar a citação na íntegra? Obrigada.