
Foi decretada ontem a prisão preventiva do dono da boate Bahamas. O empresário responde a processo por favorecimento da prostituição, exploração de casa de prostituição, tráfico de pessoas e formação de quadrilha ou bando. Após o acidente com o vôo 3054 da TAM, em Congonhas, o hotel passou a ser considerado um risco à aviação. O foco foi desviado do hotel para a boate depois de o empresário ter declarado atuar em "prostituição de luxo". Dias após a exibição da entrevista, a prefeitura cassou o alvará de funcionamento do Bahamas e o fechou. O empresário protestou e, em entrevista à Folha, disse que o estabelecimento "é um restaurante, um balneário e um hotel, freqüentado por homens, mulheres e casais". "Eu não promovo prostituição. O que seria ilegal é eu ter participação no lucro das mulheres."
Folha Online ( 07/08/2007 - 02h39),
Sobre tráfico de pessoas e formação de quadrilha ou bando, nada tenho a dizer a não ser que se cumpra a lei. Agora, com respeito ao “favorecimento da prostituição” e “exploração de casa de prostituição”, defendo que é uma atividade moralmente permissível. Não quero dizer que não se deva cumprir a lei neste caso. Apenas quero registrar a ilegitimidade da lei. Já escrevi na Folha de Londrina sobre esse tema. Moralmente não percebo um argumento consistente para que o poder político proíba a ação de alguém a não ser que este alguém esteja impedindo a liberdade de outrem. Com base nesse princípio, não há qualquer fundamento racional em que se possa apoiar a censura moral à prostituição.Assim sendo, penso que devemos considerar a prostituição como um negócio como outro qualquer. Entendo, pois, que a prostituição mereça ser encarada como uma profissão entre outras. Ademais, falando com rigor, a prostituta sequer vende seu corpo. Ela não troca uma parte de sua constituição física por dinheiro. O que ela faz é cobrar pela prestação de um serviço. Não compreendo como alguém possa dizer que, ao se prostituir, a mulher ofereça mercantilmente sua dignidade. Não, ela não negocia sua dignidade moral. Ela estaria agredindo sua dignidade moral se permitisse a restrição de sua liberdade como ser humano. Mas não é isso que ela faz. E ainda por coerência ao princípio da liberdade individual - e aqui está um ponto diretamente ligado à decretação de prisão do empresário -, a meu ver tanto faz se a prostituta deseja trabalhar por conta própria ou se pretende trabalhar em algum estabelecimento, que nesse caso deveria obter licenciamento para funcionar. São dignas de menção as palavras de Von Mises: “um homem livre deve ser capaz de suportar que seu concidadão aja e viva de modo diferente de sua própria concepção de vida. Precisa livrar-se do hábito de chamar a polícia quando algo não lhe agrada” (Liberalismo, p. 56).
5 comentários:
Professor.
Também concordo que se deva legalizar toda a tividade relacionada aos serviços prestados pelas representantes da mais antiga profissao, porém acho que elas sempre serão vítimas de preconceito. É dificil assimlar o fato de alguém fazer sexo por dinheiro. Imagine a dificuldade dessas mulheres para conseguirem namorados.
Obrigado pelo comentário, Antonio Carlos.
Se você pensa que as dificuldades das prostitutas para conseguirem namorados (e mais, para conseguirem maridos que desejem ser pais dos filhos delas) refletem necessariamente um preconceito, eu discordo. Acho que pode ser preferência justificável, escolha baseada em razoes e não na ignorância como é o caso quando nos sujeitamos ao preconceito.
Abraço.
Professor Aguinaldo,
em consonância com seus argumentos, que revelam a ambigüidade da legislação penal - não tipificação da prostituição x criminalização da manutenção da casa de prostituição (art. 229, CP)-, penso que, apenas para clarear outra faceta da discussão, no bojo da hipocrisia (sustentada por parte da sociedade ou dos legisladores), talvez resida uma questão de ordem tributária. Desse modo, se fosse possível ao proprietário da casa de prostituição recolher os tributos devidos pela prestação de serviços da prostituta o mal-estar fosse resolvido...
Acredito que as mulheres estão cansadas do jogo patriarcal e do seu efeito nocivo... Abraços. Eugênia.
Anônima Eugênia (rsrs)
Muito obrigado pelo comentário. Certamente a legalização implicaria tributação. Não sei se o ponto está no "jogo matriarcal e do seu efeito nocivio", ou simplesmente na mentalidade dominante segundo a qual a liberdade individual é apenas um valor relativo.
Abraço.
Professor, sou estudante de Direito pela Faculdade de Tecnologia e Ciêcias-FTC de Vitoria da Conquista Bahia, gostei muito do seu trabalho,e acbei usando como base para o esbolso do meu artigo, quero lhe agradecer muito pelas informações.
Muito obrigado grande mestre!
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