26 agosto 2007

À procura da felicidade

Assisti ontem ao DVD “À procura da felicidade”. O filme é tocante. A vida de Chris Garner (Will Smith) vai de mal a pior: suas vendas de máquinas que fazem exames semelhantes às de raio X não emplacam. Sua mulher o abandona. Ele precisa cuidar sozinho de seu filho. Sem dinheiro e cheio de dívidas, é despejado. No fundo do poço, chega a dormir com o filho num banheiro de estação de metrô. Mas ele sabe que há um caminho: confiar em si mesmo e lutar para conseguir a vaga de corretor de ações. 

Chris Garner não reclama da sociedade injusta, não reclama do fato de nem todos serem iguais. Ele não reclama do Estado, que lhe cobra impostos e não lhe daria as mesmas condições que os outros. No Brasil, as duas primeiras coisas contra as quais, em geral, se voltam os chamados “sem sorte”, e principalmente seus amáveis humanistas de botequim, é a injustiça da sociedade e a ineficiente ação do Estado em prover os bens para os membros da comunidade política. Chris Garner em nenhum momento do filme reclama da sociedade (e como seria fácil para um negro como ele fazer isso). 

Ele luta, ele mira o seu sucesso individual (e por conseqüência a felicidade também de seu amado filho). Chris Garner não inveja o sucesso alheio. Ao contrário, o filme mostra que sua vida ganha mais motivação a partir do momento em que ele vê um corretor saindo de uma Ferrari. O sucesso alheio é admirado. O individuo é enaltecido neste belo filme.

Muitos poderão pensar que “À procura da felicidade” não passa de um grande dramalhão. Certamente o filme tem momentos típicos de um dramalhão, mas está longe de se resumir a isso. O filme é uma aula de sabedoria, de coragem! Uma verdadeira lição do que significa a existência de um indivíduo que assume para si a responsabilidade por sua vida.

5 comentários:

Unknown disse...

Se é assim, posso pensar exatamente na lengalenga esquerdista que poderia ser dita sobre o filme "propaganda ideológica do falso sonho americano para as pessoas acreditarem que a pobreza é culpa delas e não do sistema que joga a favor das classes dominantes..." e blablabla...
rsrsrs

Pensei nisso outro dia enquanto estava numa sala de espera do famigerado SAS. Uma menina estava deitada em um dos bancos e a mãe perguntou se ela tinha feito o dever de casa. Ela respondeu apenas: "Ah, mãe, você sabe que eu não gosto de estudar". A mãe só sorriu como quem acha graça e não fez nenhum comentário. Até aí, tudo bem, o problema é que a menina era negra e, portanto, candidata a tomar a vaga de alguém que estude em alguma seleção, simplesmente porque a ideologia predominante é que o Estado deve interferir no jogo e tirar de uma categoria social para dar a outra, desconsiderando méritos pessoais e o próprio conceito de individualidade.
Abraços

Anônimo disse...

Professor Aguinaldo,
é tocante ler algo seu tão poeticamente articulado [seu texto se revelou "sensivelmente" instrutivo], embasado na leitura deste filme que serve de exemplo para qualquer pessoa que duvide que é possível "achar" a felicidade... Abraços. Eugênia.

Greice Kelly disse...

Como sempre, texto muito pertinente.

Não há desculpas, o mundo é assim.

Abraço, querido.

Unknown disse...

Sonhar é importante. Ter condições para isso tb. Concordo com o texto em alguns aspectos, discordo em outros. Ingênuo e verdadeiro, um pouco mais do primeiro, também pelo exemplo que ele usou para ratificar o ponto de vista do autor, e verdadeiro pelas batalhas íntimas travadas no dia a dia, intrínsecas ao humano.

Anônimo disse...

e o melhor, é uma história real! O verdadeiro Chris Garner aparece no final do filme, ao fundo, em frente a porta de uma casa.