07 setembro 2006
Paulo Betti, a Metafísica e a Ética
É lamentável que no Brasil existam tão poucos intelectuais comprometidos realmente com a defesa da liberdade dos indivíduos, ou simplesmente intelectuais comprometidos com a verdade. Vejam esses manifestos de apoio à reeleição do apedeuta. Vejam também os apoios que a senadora Heloisa Helena vem recebendo de intelectuais. Senadora esta que acredita no círculo quadrado, isto é, em socialismo com liberdade. Ora, é evidente que ou se defende o socialismo, ou se defende a liberdade. O teste é simples: basta ler as entrevistas que a senadora deu para perceber que o que ela defende é a igualdade, não a liberdade. Bom, mas o que eu queria falar mesmo é sobre ao artigo do ator Paulo Betti sobre ética (FSP 05/09/06). Depois de ter dito, em defesa do governo Lula, que “não se faz política sem sujar as mãos, sem pôr a mão na merda”, Paulo Betti vem a publico tentar se explicar. Uma pérola. Leiam. Algumas idéias que ele defende são facilmente reduzidas a pó. Porém, uma delas me pareceu um tanto metafísica, e digo metafísica no sentido nobre do termo. Ele afirma, no artigo, que “constatar as transgressões [éticas] como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las”. Ora, se as transgressões éticas do PT foram inevitáveis, então seria uma injustiça condená-las. Como eu sou um incompatibilista, somente acredito que alguém pode ser, com justiça, censurado - e sofrer as sanções correspondentes - se a sua ação poderia ter sido evitada. E me parece muito evidente que a prática da corrupção bolchevique do PT não pode ser entendida como um eclipse solar, como uma ocorrência natural qualquer em relação a qual fazemos previsões e dizemos: “ocorrerá necessariamente”. Por exemplo, eu acredito que inevitável seja a morte, a degeneração dos organismos vivos. Não penso que ações moral e juridicamente condenáveis sejam inevitáveis. Mas Paulo Betti deve ser um filósofo determinista, disposto a assumir que todo o universo, incluindo as ações humanas, segue leis imutáveis e o PT não poderia não ter praticado a corrupção, como ele também não poderia ter evitado dizer o que disse. Ele teria apenas um probleminha talvez. Ele teria de reescrever o artigo, pois não poderia censurar seus críticos, pois as censuras que ele recebe não podem ser injustas, como ele alega, visto que são inevitáveis.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário