
Nos últimos meses, muita bobagem tem sido escrita sobre voto nulo. É irresistível o desejo de retomar esse tema. É claro que há circunstancias em que o voto nulo é razoável. Basta um indivíduo considerar que não há diferenças significativas entre os candidatos. Se o eleitor chegar à conclusão de que elegendo A, B ou C a situação permanecerá a mesma, ele tem uma boa razão para votar nulo. É claro que ele pode estar errado em sua apreciação da inexistência de diferenças relevantes entre os candidatos. Contudo, em um país em que o voto é obrigatório, e o voto obrigatório fere não a democracia, mas a liberdade individual, e a liberdade individual me parece mais importante que a democracia; pois bem, como dizia, uma vez o voto sendo obrigatório, o voto nulo se torna ainda mais compreensível. De todo modo, eu penso que nessas eleições há diferenças significativas entre os candidatos e, portanto, não pretendo anular meu voto. Agora, essa conversa de que as pessoas que anulam seu voto são irresponsáveis não pode ser aceita. Irresponsáveis podem ser tanto os que validam os seus votos como os que anulam. Não vejo como alguém pode defender a tese de que anular o voto seria, por princípio, errado. Eu acho que é errado por razões contingentes. Quem se opõe ao voto nulo deve argumentar não contra o voto nulo em geral, mas contra o voto nulo numa determinada circunstância. De fato, argumentar contra o voto nulo em geral me parece uma declaração precipitada segundo a qual sempre haverá diferenças relevantes entre os candidatos. Isso nem sempre ocorre (não é o caso, pelo menos essa é minha avaliação no momento, das eleições presidenciais).
4 comentários:
Concordo com você sobre as diferenças relevantes entre os candidatos, mas fica uma pergunta: esta diferença realmente contribui para a mudança do processo político no Brasil?
Parece-me que em todas as eleições vatamos nos mesmos. Não vejo diferença, quando penso na história de nossa república e até antes dela quando ainda vejo famílias de coronéis em destaque em nossa política como: Sarney (Maranhão), Maciel (Pernambuco), Lira (Alagoas), Magalhães (Bahia).
Sempre dei valor ao meu voto mas confesso que agora não saberia em quem votar.
Prezada Renata.
Não sei exatamente o que você quer dizer com "mudança do processo político no Brasil". De todo modo, acredito que podemos afirmar que nem sempre ocorre uma votação "nos mesmos". Ainda que Sarneys e Magalhães estejam em cena, eles, pelo menos o segundo, não têm mais o mesmo poder que tinham antigamente. Mas o meu ponto é: se avaliarmos os candidatos à presidencia da república, perceberemos que há diferenças relevantes. Há canidatos MENOS incoerentes que outros, há candidatos MENOS irresponsáveis que outros.
Não considero este argumento um argumento a priori. Depende da experiência, portanto é a posteriori. Agora, quem vota nulo continua tendo todos os seus direitos constitucionais e legais. Logo, ele pode perfeitamente reclamar do uso que fazem do seu dinheiro (mediante a cobrança de impostos). Quem anula o voto pode ser uma pessoa altamente responsável. Ao anular o seu voto ele declina de seus direitos. Existem leis no país. Por favor, diga o teu nome.
Quis dizer ele NÃO declina.
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