
Muito se discute sobre como votar em outubro, já que parece haver grande desinteresse e até mesmo revolta em ter que votar quando nenhum dos candidatos parece empolgar a maioria dos que se manifestam.
Diante de tantas opiniões e posicionamentos, principalmente com aqueles que sugerem o voto nulo, com o qual não concordo, gostaria de dar a seguinte e utópica sugestão, já que acho que a obrigação de votar não é democrática. O ideal seria a liberdade de votar ou não.
As prévias mostram sempre o número de votos favoráveis e o nível de rejeição de cada candidato.Por isto, e somente a título de desabafo, pergunto: por que não existe o voto contra?
Se houvesse, haveria a real oportunidade de posicionamento de tão grande bandalheira existente hoje. O eleito seria aquele que contasse o melhor saldo de votos entre os votos favoráveis e os votos contra. Alguém poderia argumentar que seria muito difícil pôr isto em prática. Não concordo, porque com a urna eletrônica (computadorizada), o resultado seria imediato. O difícil, ou melhor, impossível, seria esperar que a medida fosse votada pela Câmara que aí está. Seria querer demais. Concordo, mas sonhar não custa nada.
Alceu Serpa Ferraz
Londrina 22 de julho de 2006
8 comentários:
O segundo turno existe justamente para que a maioria possa recusar o candidato mais votado no primeiro turno. Ele é democrático justamente por impedir que um candidato com alto nível de rejeição chegue ao poder por também ter um grande número de partidários. Enfim, creio que ele dê conta plenamente do espírito de sua idéia, se o entendi corretamente, sem a necessidade de complicações adicionais.
Sr. Niemand.
Enviarei seu comentário ao Alceu Serpa Ferraz. Gostaria que o senhor me informasse seu nome e cidade. Obrigado.
... esta discussão com certeza dá pano pra manga.... sabe que até votaria contra em muitas eleições, mas se é para ser utópico: já pensou todas as urnas vazias, sem nenhum voto... será que eles entenderiam o recado?
Prezado Marcel.
Muito obrigado pelo seu comentário. Irei repassá-lo imedatamente ao Dr. Alceu. Certamente os cenários que o senhor desenha são altamente estimulantes. Vamos ver o que o autor do texto pensa.
Abraço.
Prezado Marcel,
O segundo turno cumpre o espírito do voto contra se este é entendido, como me pareceu a interpretação mais benevolente, como um mecanismo criado para evitar que um candidato de maior índice de rejeição que de aprovação vença as eleições. Aliás, o segundo turno só faz sentido em função do fator rejeição e, por contemplá-lo, eu disse considerá-lo democrático. Com ele, vencerá o candidato de maior representatividade, mas que, ao mesmo tempo, não tem rejeição maior ainda. Agora, se pensarmos no voto contra como um mecanismo que mudaria o conceito das eleições, colocando a rejeição acima da preferência, aí ele certamente vai além do segundo turno, porque este não tem mesmo tal função, o que me parece ser uma qualidade e não um defeito. Seu exemplo mostra um candidato inexpressivo não só chegando ao segundo turmo como até mesmo vencendo as eleições, já que, se deixarmos de lado fatores psicológicos, a lógica diz que os 31% dos votos do segundo colocado devem ir para o terceiro, que teria obtido apenas 12%, afinal, como seria este um voto de rejeição, ele deve repetir o voto contra do primeiro turno. Assim, seu vencedor tem 43% dos votos finais, mas só representa mesmo 12% do eleitorado. Enquanto isso, o segundo turno faz um balanço entre as duas coisas. Não venceria um candidato de tão baixa representatividade e nem um candidato que tivesse 49% que fosse da preferência nacional, mas 51% de aversão por parte do eleitorado. Enfim, a meu ver, está muito bem como está.
Desculpe, Aguinaldo, só agora vi seu pedido.
Abraços,
Andréa Faggion
p.s. eu não costumo usar o blogger (fiz este registro há muito tempo e só usei brevemente), então nem me dei conta de que apareceria um nick e não o nome de usuário.
ANDRÉA.
Que honra ter você como visitante e comentadora do Blog!
Abraço.
Caro Marcel,
É um prazer que possamos conversar melhor, agradeço então ao Aguinaldo que propiciou a ocasião e ao sr. Alceu também, pela idéia instigante.
E estamos de acordo que o resultado da eleição, com voto contra, pode ser diferente do que seria com apenas o segundo turno. Procurei somente ressaltar que isto ocorre, justamente porque, embora ambos contemplem a rejeição, só o voto contra pode fazê-la prevalecer sobre a preferência, o que não vejo com bons olhos em uma democracia que é exatamente representativa.
Abraços e obrigada pela discussão interessante.
Aguinaldo,
Eu repito o elogio ao blog, porque sou uma grande fã disto que considero uma revolução da informação que estamos vivendo justamente por causa de espaços como este. É uma satisfação ver um intelectual do seu nível tornando o próprio conhecimento acessível a todos desta forma e fomentando a discussão. Parabéns!!
Abraços e bom fim de domingo.
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