10 maio 2006
Resumo Projeto de Pesquisa A crítica de Kant ao contratualismo de Hobbes
Embora o conceito de estado de natureza em Kant se distinga do de Hobbes, uma vez que ele não se reporta a elementos empíricos, vale dizer a móbiles fundados em cálculos de interesse, isso não significa que haja um desacordo profundo de Kant quanto ao estado e natureza em Hobbes. Na verdade, não é despropositado pensar que Kant sustenta uma tese sobre o estado de natureza de viés aparentemente hobbesiano. Em várias passagens de sua obra encontramos referencia à idéia de um estado de natureza como um “estado em constante disposição de guerra”. Sustenta-se, portanto, que, num certo sentido, Kant ratifica a teoria hobbesiana do estado de natureza, porém elabora uma critica contundente ao seu contratualismo, refutando o absolutismo do autor do Leviatã. Será discutida a hipótese de que Kant, ao ter se concentrado apenas no De Cive, deixou de perceber um aspecto fundamental do contratualismo de Hobbes, a saber, a sua teoria da obrigação política. Com efeito, no Leviatã a argumentação de Hobbes sobre a obediência política tem um alcance maior do que a que podemos notar em De Cive. O capitulo XXI do Leviatã exprime vigorosamente condições de liberação da obediência política que dão ensejo a se repensar o próprio contratualismo de Hobbes.
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