03 abril 2006

Orgulho e preconceito: o filme

Fui assistir (há algumas semanas) ao filmeOrgulho e Preconceito” (Pride & Prejudice. Direção: Joe Wright. Roteiro: Deborah Moggach), baseado no livro de Jane Austen. Minha motivação maior para ver o filme prendia-se ao fato de ter lido o livro de Jane Austen e considerá-lo um dos mais belos romances que li. Mas o filme comparado ao livrocomo acontece de sólito – é bem inferior. A idéia de que amor envolve a apreciação do caráter do ser amado e que, pelo amor e mediante o amor, podemos mudar nossos comportamentos (não nosso caráter) é tratada no livro de modo contundente
 Elizabeth Bennet (interpretada, no filme, pela belíssima Keira Knightley) é uma mulher densa, com uma gravidade espiritual que lhe acrescenta encanto às suas atrativas qualidades físicas. Não é uma mulher pesada. É uma mulher densa. Darcy, um homem reto, profundo. Mas o filme, dentre vários pecados, comete o crime capital de retratar Elizabeth de modo muito sorridente, sem aquela gravidade que fica registrada em nossa memória quando pensamos no livro. Isso é que mais me decepcionou no filme. E confesso que fui ao cinema não como cinéfilo – o que não sou – mas como adorador da grande literatura. E fiquei decepcionado. 

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