16 maio 2006

Hobbes em São Paulo


São Paulo está vivendo uma onda assustadora de violência. Prédios de delegacias e ônibus incendiados, viaturas policiais destruídas, ameaças de explosão de bombas em lugares públicos. Os indivíduos que moram na cidade de São Paulo viveram ontem, conforme noticia a imprensa, um dia de profunda insegurança. Aulas foras suspensas, ruas bloqueadas. A pergunta básica que qualquer pessoa deve estar se fazendo é: e o Estado? É preciso que o Estado aja, simplesmente isso: aja com toda a dureza que as circunstâncias exigem. É preciso que o Estado aja não apenas porque são justamente os seus agentes de coerção que estão sendo alvo central da ação dos criminosos, mas porque sua função primeira é garantir segurança aos indivíduos. É basicamente para isso que existe Estado. Se não podemos viver em segurança, então não devemos obediência ao Leviatã e devemos procurar, por conta própria, a preservação de nossas vidas. Tem sentido indivíduos pagarem impostos, obedecerem às leis diante de um estado de insegurança generalizada? Por certo, é sem qualquer sentido atender aos reclames do Leviatã se este não atende ao nosso interesse elementar de autopreservação. Hobbes não visita apenas Bagdá. Ele também tem interesse por São Paulo.

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