
Pelo que posso perceber há um gosto generalizado por discursos em prol da ética na política (como é caso da iniciativa do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina que está unido ao Movimento “Reforma Brasil”, conforme artigo de seu presidente hoje na Folha de Londrina). É claro que esse gosto se intensifica em contextos como o que vivemos em que a classe política é mal vista em virtude do comportamento de muitos de seus pares, quiçá da maioria deles. Contudo, essa conversa de ética na política, ainda que bem intencionada, não deixa de ser equivocada. Não há boas razoes para reivindicarmos, como pretende o presidente do Clube de Engenharia, a moralidade dos políticos (profissionais). O que devemos reivindicar é a legalidade do comportamento dos políticos; que eles ajam de acordo com as regras do jogo; que não trapaceiem seus eleitores; que não sejam corruptos; que deixem transparecer suas posições assumidas nas casas legislativas. Enfim, devemos reclamar honestidade e continência moral dos políticos, mas não que eles sejam morais. A exigência de moralidade significaria que eles deveriam agir segundo motivações puramente racionais (no sentido kantiano). Ora, isso além de ser insondável, não é preciso para os objetivos que esses movimentos pela ética na política acalentam. Esses movimentos são, na verdade, repletos de confusão conceitual. Eles falam em “respeito à constituição”. Mas respeitar a constituição não envolve necessariamente moralidade. Posso perfeitamente respeitar a constituição tendo em vista um cálculo das conseqüências indesejáveis advindas de meu desrespeito a ela. É imprescindível apertar os parafusos.
Um comentário:
Numa época em que a associação de Magistrados do Brasil entra faz campanha de cunho claramente inconstitucional (pedindo que políticos cujos processos nao transitaram em julgado sejam impedidos de disputar eleições) esse texro é esclarecedor e bem vindo.
Parabens Aguinaldo!
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