06 junho 2019

Liberalismo e a proposta do governo de novas regras para o trânsito

Os meus aplausos ao governo Bolsonaro

Há poucos minutos li um post do meu querido amigo e colega Marcos Rodrigues no Facebook. Ele não vê com bons olhos a iniciativa do governo e faz, como liberal, uma crítica muito interessante. Vale a pena vocês lerem o que ele escreveu. Deixei meu comentário lá, mas para não o aborrecer vou explicar minha visão aqui (repetindo basicamente o que disse lá).

Motoristas que não causam nenhuma lesão ao direito alheio são constantemente incomodados pelo Estado. São regras e mais regras para serem cumpridas. Burocracia terrível para tirar carteira, renovar carteira, multas e mais multas, cursos de reciclagem, filas. Mil aborrecimentos que parecem ter como único objetivo azucrinar a vida das pessoas e sacramentar nossa servidão ao Leviatã. Logo, sou totalmente favorável à iniciativa do governo e a entendo como uma inciativa liberal. Ela aumenta nossas liberdades, subtraindo da legalidade positiva restrições injustificáveis. Ela reduz ação do Estado sobre a vida dos indivíduos.

Como, até onde sei, não haverá aumento de impostos para serem usados no (suposto) aumento dos gastos com a saúde por causa de um maior número de acidentes, o governo apenas tirou as restrições à liberdade dos motoristas. A liberdade só deve ser restringida se ela for abusiva, ou seja, ela mesma for causa da restrição de outras liberdades (esse é um princípio liberal). Por isso, acho que só ganhamos com o que governo apresentou ao congresso.

Se pensarmos de modo liberal e consequente e, por causa disso, nos incomodarmos com os impostos sendo usados para pagar pessoas imprudentes que se acidentam, deveríamos defender que ninguém mais seja atendido pelo SUS devido a doenças causadas por alcoolismo, tabagismo e outros hábitos pouco saudáveis.
Será que não fui longe demais? Talvez. Aqui também escrevo no impulso.

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Eu me oponho, e me esforço para ser coerente com isso, a todo autoritarismo. Alguém diz: “você não está preparado para ser livre”. Eu: “Ah? Eu não estou preparado para ser livre"? Mas quem tem autoridade moral (se não gostar da palavra moral, pode deixá-la de lado) para decidir quando chegará o abençoado dia em que eu poderei gozar da minha liberdade? Liberalismo, e mais que liberalismo, o ultraliberalismo que defendo, funciona sim, e funciona porque ele apenas procura levar às últimas consequências a ideia de que somos responsáveis por nossas vidas. Alguém diz: “você não está preparado para consumir álcool. Quando tiver 37 anos, daí sim você terá aprendido a ser livre e receberá um diploma: Pronto para Beber Álcool da Acadêmica Brasileira dos Autoritários, dos que pensam que podem decidir sobre a vida dos outros. Se alguém, por estar bêbado prejudica sua saúde, lesa o direito alheio, ele tem de responder por seus atos. E isso somente é possível porque ele é livre. Não responsabilizamos pessoas sem liberdade. O que o ultraliberalismo que defendo reclama é apenas que um indivíduo não seja forçado à servidão. Se você acha que está ok ser servo do Estado, pagar multas, perder tempo com burocracia, ok. É teu direito. Mas você tem direito de impor essa visão de sociabilidade aos outros? Não, não tem.

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Se uma criança se fere ou morre porque não estava usando cadeirinha, de quem é a culpa? Segundo os novos defensores da liberdade, é do governo. Eu sempre pensei que era dos pais (ou responsáveis).