08 setembro 2013

Pitéu


Por que, não somente Aristóteles, mas também a maioria dos filósofos requintaram em apresentar todas as questões obscuramente, senão para ressaltar a que ponto são ociosas e distrair a nossa curiosidade, dando-nos como pitéu ossos vazios e sem carne para roer?
(Montaigne)

Há muitos ossos vazios e sem carne alguma para roer naquilo que se chama de filosofia, mas esse não é o único pitéu que dela recebemos, ou que deles recebemos (dos grandes, ilustres, majestosos e divinos filósofos). Há acepipes mais saborosos.  Talvez eles tenham melhorado depois de Montaigne, ou simplesmente depois de Montaigne talvez eles tenham sido trazidos à mesa em maior número. Pitéus cartesianos, iguarias humeanas, petiscos kantianos. Schopenhauer. Sim, sim, sim, guloseimas schopenhauerianas. (Como posso esquecer dele?). Mas há acepipes que, a despeito de serem deliciosos quando estamos à mesa provando-os, se mostram de nefasta digestão. Em muitos casos geram verdadeiras congestões mentais. Os ossos têm generosos pedaços de carne (que alguém até poderia pensar se tratar de uma suculenta costela gaúcha, não essa coisa desfiada, desidratada, sem um filete de sangue que servem aqui em Londrina). Mas depois de alguns verões, passados alguns anos da inesquecível experiência gastronômica, você vai ficar indisposto, tonto e meio bocó, repetindo como papagaio palermices bigodianas.   

Diante do exposto, acredito poder concluir ... Concluir? Oh, "diante do exposto, acredito poder concluir ..." Ridículo. Concluir o quê? Só estou me divertindo.