10 setembro 2013

Medicina e estado

Sou contra toda essa retórica do governo Dilma contra os médicos brasileiros. Um médico é um ser humano. Ó! Dá pra aceitar isso, não? Ora, como ser humano, um médico tem não apenas sentimentos morais de compaixão; ele também visa legitimamente à satisfação de seus interesses não morais (embora não imorais). Dentre os interesses moralmente permitidos (não morais, mas não imorais) pode perfeitamente constar ter um bom carro, uma boa casa, férias no caribe, boa educação para os filhos e todos os lícitos benefícios que ele obtém de seu trabalho. Até aqui algum problema? Mas o mais importante, uma vez aceita a singela premissa de que eles são seres humanos, é que eles têm direito à liberdade. Liberdade, saca? O que implica poderem atuar na cidade que bem entenderem, no bairro que bem entenderem, no hospital que bem entenderem (sob obrigações contratuais, claro). Não se deve esperar dos médicos que eles atuem profissionalmente acalentando em seus corações os mais generosos afetos filantrópicos. Não, de nenhuma profissão se deve esperar isso. 

Vou contar uma história. Os médicos oferecem no mercado um bem. Há pessoas interessadas nisso (acho que em geral os mamíferos humanos se preocupam com sua saúde). Há um custo. Eles fixam um preço (barganham). A pessoa paga (barganha). Eles, os médicos, recebem. O paciente recebe o que queria. (Desconte aqui toda a corrupção nas trocas voluntárias entre os indivíduos que o governo causa com sua interferência). Fim da história. 

Não há, pois, razão para se surpreender com o fato de médicos preterirem determinados municípios. Ora bolas. Incentivos, minha filha! Ou você quer: venha para cá, para a nossa amada comuna “Cafundó do Judas”, por amor à humanidade? Alguém acredita que os charutos cubanos são vendidos por amor à humanidade? Bah, mas de onde me saiu esta? Desculpe, eu estava falando dos médicos. Você acha, camaradinha, que os médicos cubanos são seres moralmente superiores aos médicos brasileiros? Não, não. Como? Hã? Vai, repete esse “sim” só mais uma vez. É claro que não. Nem vou falar do fato de o governo do PT estar prestando solidariedade financeira, por meio da espoliação dos brasileiros, à ditadura dos Castros. (Sobre espoliação: o que não poderia ser diferente, e eu nem precisaria ter lido Frédéric Bastiat). Eu sequer vou tocar nesse assunto (uma graninha para ditadores, não, não, nem vou falar). Sempre o que me interessa é a liberdade. Sempre, sempre.

Minha solidariedade aos médicos brasileiros.

Que a liberdade seja louvada.

Amém. Amém.

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* só uma coisinha: da sagrada liberdade resulta: profissões sem qualquer regulamentação estatal. Todas as profissões. Todas, sem exceção.



** eu falo acima em "não moral, mas não imoral" apenas como muleta argumentativa. Poderia ser algo como o lícito egoísmo de cada um de nós. Poderia ser simplesmente o exercício do direito inato à liberdade. Escolham uma das três opções. 

2 comentários:

Unknown disse...

Concordo plenamente que a medicina seja um mercado como qualquer outro. Mas, por isso mesmo, não sou nem um pouco solidária aos médicos. São eles os grandes culpados pelo fato da saúde não ser vista como uma mercadoria como outra qualquer, mas sim como assunto de Estado. Eles, afinal, se organizam em corporações que, com o Estado a seu lado, ditam quem pode exercer a profissão e até mesmo quem pode estudar para exercer a profissão. Se bobear, os médicos são mais estatistas que os próprios políticos. Vou respeitá-los no dia em que exigirem, não que os cubanos façam o revalida, mas sim que ninguém precise fazer (dia este que jamais chegará!).
Abraço

Aguinaldo Pavão disse...

Andrea.
Certamente, os médicos contribuem consideravelmente para uma visão corporativista e, assim, restritiva da liberdade. Eles pensam que o estado deve regulamentar o exercício da medicina. Mas isso vale para outras profissões, como a de professores de filosofia. O meu ponto é contra o estado brasileiro. Eu não tenho, nesse post, a intenção primeira de gritar contra as corporações. E minha posição é bem nítida: nessa peleja atual, entre o estado brasileiro e os médicos, eu estou do lado dos médicos.
Abraços.