05 setembro 2012

Não esquerda ou direita, mas libertarianismo ou estatismo


Às vezes se ouve da boca da turminha da esquerda, ou melhor, da “liberal (left)” coisas sobre a perversa direita brasileira. Alguns até chamam o DEM de “demo” para cravar um epíteto supostamente correspondente à nefasta natureza ideológica de tal agremiação. Mas o DEM, nem no sentido tradicional, é direita. Vejam o que eles pensam sobre justiça social. Quem quiser pode ler hoje artigo na FSP de um tal de Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo e deputado federal licenciado (DEM-SP). No artigo intitulado “Contra a pobreza extrema”, ele defende a intervenção do Estado na economia a fim de “promover a mobilidade social da população mais carente”. Isso é típico da “direita” brasileira, que no fundo está mais próxima do que seria uma esquerda autoritária com deslizes conservadores.

William S. Maddox e Stuart A. Lilie, em Beyond liberal and conservative, parecem-me mais próximos de uma correta caracterização das posições políticas possíveis. Segundo eles, há quatro posições (com entretons) que respondem diferentemente a duas questões:

1. Intervenção do Estado na liberdade econômica
1.1. A favor: liberal (esquerda) e estatista
1.2. Contra: libertário e conservador (direita)

2. Intervenção do Estado nas liberdades pessoais
2.1. A favor: estatista e conservador (direita)
2.2. Contra: libertário e liberal (esquerda)

Isso é bem melhor do que simplesmente opor esquerda e direita. Contudo, tanto esses liberais (no sentido americano), como os conservadores são, no fundo, estatistas. Eles apenas fazem concessões à liberdade. Num caso, à liberdade relativa aos costumes (aborto, direitos dos homossexuais, legalização das drogas e afins). Em outro caso, a concessão recai sobre a economia. Mas há confusão aí. Liberdades pessoais não se restringem aos direitos reclamados pelos esquerdistas. A liberdade para trocar bens com os outros, isto é, a liberdade econômica, também é evidentemente uma liberdade pessoal. Assim, há três tipos de estatistas: um coerente e dois incoerentes. E há um único tipo de antiestatista coerente, o libertário.