Às vezes se ouve da boca da turminha da esquerda, ou melhor,
da “liberal (left)” coisas sobre a perversa direita brasileira. Alguns até
chamam o DEM de “demo” para cravar um epíteto supostamente correspondente à nefasta
natureza ideológica de tal agremiação. Mas o DEM, nem no sentido tradicional, é
direita. Vejam o que eles pensam sobre justiça social. Quem quiser pode ler hoje
artigo na FSP de um tal de Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social
do Estado de São Paulo e deputado federal licenciado (DEM-SP). No artigo
intitulado “Contra a pobreza extrema”, ele defende a intervenção do Estado na
economia a fim de “promover a mobilidade social da população mais carente”.
Isso é típico da “direita” brasileira, que no fundo está mais próxima do que
seria uma esquerda autoritária com deslizes conservadores.
William S. Maddox e Stuart A. Lilie, em Beyond liberal and conservative, parecem-me mais próximos de uma
correta caracterização das posições políticas possíveis. Segundo eles, há
quatro posições (com entretons) que respondem diferentemente a duas questões:
1. Intervenção do Estado na liberdade econômica
1.1. A favor: liberal (esquerda) e estatista
1.2. Contra: libertário e conservador (direita)
2. Intervenção do Estado nas liberdades pessoais
2.1. A favor: estatista e conservador (direita)
2.2. Contra: libertário e liberal (esquerda)
Isso é bem melhor do que simplesmente opor esquerda e
direita. Contudo, tanto esses liberais (no sentido americano), como os
conservadores são, no fundo, estatistas. Eles apenas fazem concessões à
liberdade. Num caso, à liberdade relativa aos costumes (aborto, direitos dos
homossexuais, legalização das drogas e afins). Em outro caso, a concessão recai
sobre a economia. Mas há confusão aí. Liberdades pessoais não se restringem aos
direitos reclamados pelos esquerdistas. A liberdade para trocar bens com os
outros, isto é, a liberdade econômica, também é evidentemente uma liberdade
pessoal. Assim, há três tipos de estatistas: um coerente e dois incoerentes. E há
um único tipo de antiestatista coerente, o libertário.
