Primeira carta
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Mil vezes por dia dirijo para ti os meus suspiros: eles procuram-te em toda a parte e, como recompensa de tantas inquietações, apenas me trazem o aviso demasiado sincero de minha triste sorte, que tem a crueldade de não suportar que eu me iluda e que a cada passo me diz: basta!, basta!, infeliz Mariana basta de te consumires em vão e de procurares um amante que nunca mais voltarás a ver; um amante que atravessou o mar para fugir de ti, [...] um amante ... que nem sequer te agradece.
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Como podem ter-se tornado tão cruéis as lembranças de momentos tão agradáveis.
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Mas não importa! Estou decidida a adorar-te durante toda a vida e a não ter olhos para mais ninguém. E asseguro-te que também tu farias bem em não amar mais ninguém. [...] não encontrarás jamais amor tamanho – e o resto não conta.
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Conjuro-te a que me digas por que é que te empenhaste em me encantar como fizeste, se já sabias que me havias de abandonar? Por que é que puseste tanto empenho em me tornar infeliz? Por que não me deixaste em paz no meu convento? Tinha te feito algum mal?
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---------- E haverá quem, cheio de lucidez, diga: "ora, ora, é claro que o resto conta'. Mas saberá o sensato e pouco poético senhor ou senhora o que Mariana quis dizer com "não encontrará jamais amor tamanho"? Qual a magnitude desse amor? O que estava implicado nessa linda combinação de palavras, de sons, de imagens? O que era esse amor? Eis a questão. Mas se quiséssemos poderíamos brincar de sobriedade e sensatez. Bastaria perguntar: e se o resto conta, quanto conta? Mariana, Mariana, eu sou teu discípulo.
A educação como mercadoria
20 horas atrás

6 comentários:
Lindo, lindo, nossa ... como diria certo professor "mil vezes lindo". Pena que nao falou do livro, da história. senti falta de uma apreentação.
Olha, Srta. de La Mole, meu objetivo não foi fazer apresentação do livro. Meu objetivo foi outro.
Também sou discípula da Mariana. Amor lancinante, amor insano, amor inesquecível.
MARIANA ALCOFORADO DISSE:
Segunda carta
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Desde que partiste, não tive um único momento de saúde e o meu único prazer consiste em murmurar o teu nome mil vezes ao dia. [...] saio o menos possível do meu quarto [...] e olho sem cessar o teu retrato, que é mil vezes mais caro do que a vida. É ele que me dá alegria; mas provoca-me também um grande sofrimento, quando penso que talvez nunca mais te volte a ver. E por que há-de ser possível que nunca mais te veja? Ter-me-ás abandonado para sempre?
Tudo bem, querido e “misterioso” mestre.
Muito interessante o texto pavão....
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