05 Setembro 2011

Jogos de azar

No JL de hoje, há uma carta de um leitor reclamando do jogo da “raspinha” (que eu sempre chamei “raspadinha”; acho que é assim que se chama no RS). Bem, o argumento do leitor, em resumo, é o seguinte: ao contrário da Mega Sena, a “raspinha” é comprada num determinado local por um camaradinha, mas o prêmio já saiu lá em outro lugar; lá, digamos, no interior do Pará pela manhã, e eu estou aqui em Londrina comprando o bilhete 5 hs mais tarde, sem chance alguma. O leitor diz que se trata “de uma enganação institucionalizada do poder público”. Mas não é. Não é enganação, pois o comprador da “raspinha” não é forçado a comprar e tampouco, que eu saiba, coercitivamente impedido de sair correndo atrás de informação sobre se já saiu algum prêmio pelo Brasil afora. O que há de ilegítimo nos jogos de azar é apenas o monopólio do estado. Por que seria mais confiável a Caixa Econômica Federal do que agentes privados cuidando do negócio dos jogos de azar? Por que seria errado a existência de bingos e todo e qualquer jogo de azar? É o estado que deveria cair fora desse ramo de negócios. Enganação é algo terrível, mas enganação estatal é pior. Mas mesmo quando se trata de algo apenas “estatal” eu já sinto o cheiro de enganação, uma enganação de fundo, formal (não uma enganação material como a reclamada pelo leitor).

3 comentários:

Paulo Briguet disse...

Não sei quem disse que os jogos de azar são mais um tipo de imposto: o imposto sobre a ignorância.

De qualquer modo, de vez em quando jogo na Mega-Sena. Vai que... E assim o Estado se locupleta com nossas esperanças praticamente irrealizáveis.

De fato, Aguinaldo, você meu uma boa ideia para crônica: o Estado como o grande - o maior, o mais nocivo, o mais viciante - jogo de azar.

Abraço, Paulo.

Aguinaldo Pavão disse...

Briguet.
Fico na expectativa da crônica. Eu não conseguiria pensar isso do estado (estou começando a gostar da ideia de escrever esse maldito nome em minúsculas – perceba que respeito mais Deus do que o estado). Bem, eu não conseguiria pensar isso do estado porque eu gosto de jogos de azar.
Abraço.

Everton disse...

É, eu também gosto de jogos de azar. E mesmo que tanto os jogos quanto o estado não tenham me trazido nada de realmente bom, ainda tenho esperança nos jogos.

Abraço...