16 Agosto 2011

Distúrbios na Inglaterra

Preciso confessar uma coisa pra vocês, irmãos. Tenho sofrido muito com o que ando lendo sobre os recentes distúrbios na Inglaterra. Tenho entrado em contato com uma profunda literatura filosófico-sociológica que tem prejudicado meu retiro espiritual. Tem uma turminha que não gostou muito da reação do Primeiro Ministro britânico. O senhor David Cameron fez críticas morais aos vândalos. Mas a boa nova prega que os delinqüentes não devem ser julgados moralmente. Quem deve ser julgado moralmente é o Primeiro Ministro e o perverso “sistema financeiro internacional”. Onde se viu julgar moralmente as pessoas que estavam apenas destruindo a propriedade alheia? Quem tem de ser julgado moralmente é David Cameron com seus nefastos compromissos políticos e ideológicos. Mas é claro, tchê! Mazkebah! Acho que a tese desses sábios é a seguinte (é difícil apreendê-la com acurácia tendo em vista sua densidade): as atitudes dos delinqüentes são moralmente indiferentes e sua compreensão somente é possível mediante explicações sociológicas agudas. Isso exclui ponderações morais. Claro, apenas exclui do juízo moral aqueles que praticaram violência agressiva. O primeiro ministro e o sistema financeiro internacional têm de ser condenados moralmente. (Também têm de ser condenados, por conseguinte, os que praticaram violência defensiva com seus tacos de beisebol de alumínio). É sempre bom fazermos uma seleção. Sabe como é que é. Vamos criticar moralmente os adversários e sociologizar os atos de nossos super-homens. Mas não seria mais comovente defender que as ações dos selvagens são moralmente corretas, haja vista serem seus autores coitadinhos excluídos, que lutam por sua legítima inclusão? Daria para enfraquecer a sociologia. Não, não, nem seria preciso isso. Bastaria adotar os abençoados dois pontos de vista. Pronto. Tudo arrumadinho.

Bem, de minha parte, prefiro singelamente a seguinte alternativa: os autores dos distúrbios são moralmente culpados e devem ser punidos juridicamente, visto que praticaram atos espúrios contra a sacrossanta propriedade privada.

4 comentários:

Carlos disse...

Caríssimo Agnaldo, sou apenas um leitor quase silencioso deste blog, entretanto, não consegui me conter em questiona-lo: (fugindo do ponto também)

Não seria deveras inocente esperar que manifestações fossem pacíficas e completamente ordeiras?

Confesso que desconheço o motivo de tais manifestações na frança. Mas graças aos atos de vandalismo acredito que ficarei sabendo e sem ter que fazer um estudo de sociologia.

E acrescento ainda que gostaria de assistir também uma barbárie total das populações Venezuelana e Sírias.

Aguinaldo Pavão disse...

O meu ponto não diz respeito ao que seria provável acontecer ou não. O meu ponto é sobre se o que fizeram é certo ou errado em termos morais. Se sustento que é errado, evidentemente pressuponho que as pessoas poderiam agir de outro modo. A questão que me interessa diz respeito, assim, a se temos bons argumentos para defender a violência agressiva, pois de modo algum podemos classificar o que aconteceu como violência defensiva. Imagine que alguém queira se defender legitimamente da violência policial. Por acaso é razoável que essa pessoa se defenda da violência policial praticando violência contra terceiros inocentes? É bem simples o ponto.

Obs. É Aguinaldo, não Agnaldo

Carlos disse...

Sim Sim, claro claro, e legitimar atos como estes seria equivalente a legitimar atos do MST?
Insisto que ultimamente a França tem sido agraciada com governos fascistas-pseudo-socialistas.
Estas manifestações são contra o Estado. Seriam legítimas algumas de mesma natureza na Venezuela ou quem sabe na Síria?

Aguinaldo Pavão disse...

Qual o teu ponto? Dei uma resposta. Você concorda com ela? Discorda? Por qual razão? Faça inferências a partir do que eu disse e obterá várias respostas. E argumente.Se fizer isso, as coisas resultarão mais produtivas. Ou, então, ficamos no blábláblá, usando indevidamente conceitos.