18 outubro 2009

O que é preciso para ser um verdadeiro cristão?

Haverá uma compreensão correta sobre o que significa ser cristão? Não bastará a declaração do crente: eu sou cristão? Parece que não basta a declaração. Talvez ele tenha uma compreensão errada do que seja ser um cristão. Bastará ao crente dizer que acredita em Jesus Cristo? Mas o que significa acreditar em Jesus Cristo? Significa acreditar na correção moral de seus ensinamentos? Se isso for suficiente para se considerar cristão, teremos de admitir a existência de milhares ou milhões de cristãos que não precisam acreditar que Jesus é o Cristo. Sim, pois apenas falar: acredito na correção moral dos ensinamentos de Jesus Cristo não implica reconhecer que Jesus Cristo seja o Salvador, o Redentor (ainda que o nome usado seja Jesus Cristo).

Sobre esse assunto, Rousseau é da seguinte opinião.

Quem quer que ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é um verdadeiro cristão (Carta a Beaumont).

Já Mr. Hobbes declara:

O único (unum necessarium) artigo de fé que as escrituras tornam simplesmente necessário para a salvação é este: JESUS é o CRISTO. Pelo nome de Cristo se entende o rei que Deus tinha antes prometido pelos profetas do Antigo Testamento enviar ao mundo para reinar (sobre judeus e sobre aquelas nações que acreditassem nele) em seu nome eternamente, e para lhes dar aquela vida eterna que ficara perdida com o pecado de Adão (Leviatã).

Acho que Hobbes aparafusou melhor as coisas. Com efeito, um cristão tem de levar a sério a salvação da sua querida e amada alma. Não basta apenas admirar e tentar pôr em prática as lições morais de Jesus. É imperioso salvar a alma da danação eterna. Portanto, é preciso crer que Jesus é o Cristo. E daí entra toda aquela história que já contei pra vocês de pecado original e blábláblá.

Mas se alguém bater o pé e afirmar que é cristão porque acha Jesus Cristo bonito, eu não acalentarei nenhuma esperança de dissuadi-lo (do mesmo modo se alguém disser: sou budista, pois acho bonita a mensagem moral do budismo). Nada podemos pedir, em casos análogos, além de boas definições e coerência. Poupemos, assim, a nós mesmos o aborrecimento de discutir a arbitrariedade de suas premissas.