01 abril 2009

Entrevista à Rádio Paiquerê sobre a exigência de diploma para jornalista

Hoje de manhã dei uma entrevista à Radio Paiquerê sobre a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista (a culpa pela entrevista foi da Carina Paccola). Naturalmente, improvisei um discurso na hora. Mas o que disse ao jornalista Guilherme Borges foi mais ou menos o seguinte. Sou contra a obrigatoriedade porque se trata de uma ingerência indevida do Estado na relação entre o proprietário de um meio de comunicação com seus possíveis funcionários. O Estado não tem o direito (natural) de estabelecer regras estipulando critérios para a contratação de quem quer que seja. Se houvesse liberdade em nosso país (ou em qualquer rincão deste planeta), isto é, se a restrição e coerção somente fossem impostas quando a liberdade de alguém colidisse com a liberdade dos demais, em nenhuma profissão deveria haver exigência deste ou daquele diploma. Ou seja, no fundo a discussão é sobre a legitimidade da coerção estatal. Simples. É digno de nota que essa discussão, no mais das vezes, não se faz. Os outros entrevistados, acho que mais três senhores, todos defenderam a obrigatoriedade. Suas alegações giravam em torno da necessária qualificação do jornalista haja vista a sua responsabilidade perante a sociedade. Nadinha sobre coerção legítima e ilegítima. Nozick e Hayek fariam bem. E como fariam. Eis minha bandeira: um livro de Nozick por mil diplomas!

3 comentários:

Paulo Briguet disse...

Concordamos plenamente nesse assunto, Aguinaldo. A exigência do diploma de jornalista é um absurdo. Mas não se iluda: não há e não haverá discussão conceitual sobre o tema. O que existe é o mais puro e tacanho corporativismo.
Só por curiosidade: quem eram os outros três debatedores?

Aguinaldo Pavão disse...

Caro Briguet
Obrigado pelo comentário. Eu já conhecia tua opinião sobre o tema. De todo modo, é reconfortante para esse Blog tê-la registrada aqui.
Olha, não me lembro exatamente dos nomes. Não foi um debate. Foi uma matéria em que 4 pessoas foram ouvidas. Lembro de alguém representado os médicos, acho que também tinha um senhor da OAB (não tenho certeza). Eu era o único não representativo da turma, hehehe. E essa conversa mole de responsabilidade, a informação como um bem a que a sociedade tem direito e blábláblá, a mim não diz muita coisa. Se o dono de um jornal resolve contratar um autodidata, sem graduação alguma, só com o ensino médio incompleto, o problema é do dono do jornal. Se ele achar que é um bom negócio, se o autodidata for uma virtuose da análise política e econômica que importância terá o diploma? O autodidata colocará no bolso doutores em jornalismo. No meio acadêmico (eu sei bem) essa história de diploma é uma coisa insana. Nada além de corporativismo rasteiro. Numa sociedade de homens livres (e não falo em “sociedade livre”), um professor não precisaria ser graduado em nada. Ele apenas deveria ter um bom cérebro, uma cabeça que o tornasse interessante para o dono de uma escola e para uma turma de alunos. Bem, já falei demais.
Grande abraço.

Marcus cesar disse...

E diploma tampouco é garantia de qualificação intelectual.Ele somente é uma suposição que a pessoa supostamente recebeu um treinamento e foi hipoteticamente avaliada.
Até pouco tempo tinha restrições ao ensino EAD devido ao meu corporativismo de graduando presencial pois acreditava que haveriam muitas fraudes e a formação de pseudointelectuais.Ledo engano de minha parte,pois no presencial pode ocorrer o mesmo.É o empenho individual que conta,independente dos mecanismos utilizados no aprendizado!