
Na sexta-feira, dia 29/02/08, na página da CNBB foi publicada uma matéria intitulada “CNBB
reafirma posição da Igreja contra o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas” . Como se sabe, o STF decide hoje o futuro de pesquisas com células-tronco de embriões humanos no Brasil. Os bispos são contra o uso de células-tronco embrionárias para pesquisas. Até aí tudo bem. Pelo menos abstratamente a posição contrária deles é perfeitamente cabível. Contudo, as alegações dos católicos são de difícil aquiescência.
Na página da CNBB, o mui respeitável senhor Dimas Lara Barbosa, secretário geral da santa Conferência, afirma que “a Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana”.
Vejam que esse não é o ponto. Talvez o digníssimo bispo tenha razão em pensar que a lei de biossegurança traga tal conseqüência. Mas e se não trouxesse? Tudo indica que ele continuaria sendo contra, pois ele pensa que um embrião é uma pessoa humana e tem de ser tratado como portador dos mesmos direitos que qualquer outro ser considerado normalmente uma pessoa humana, como uma mulher em gestação por exemplo. Sendo assim, as conseqüências da decisão que o STF tomará não tem importância e a alegação do bispo se revela irrelevante para a tese que ele defende.
O ponto realmente mais delicado parece ser qual o destino dos embriões congelados.

Um outro “Dom", desta vez “Dom” Geraldo Lyrio diz que “a questão é extremamente complexa” e que a Igreja “não tem nem pretende ser caixinha de resposta para todas as interrogações”. Para ele, - continua a matéria - a resposta tem que ser buscada considerando que se trata de vida humana. “A Igreja chama a atenção porque se trata de um ser vivo, portanto, não pode ser eliminado.
Bom, mas então sobre esse ponto - que é o que interessa -, a Igreja tem a resposta. Se o embrião não deve ser eliminado, mesmo que ele jamais venha a se tornar uma pessoa humana, isto é, nascer e viver com um corpo próprio e desenvolver sua identidade pessoal, devemos preservá-lo congelado enquanto isso for possível, em que pese a possibilidade de seu uso poder salvar a vida de pessoas humanas.
Na verdade, a venerável Igreja Católica Apostólica Romana não hesita em acionar rapidamente sua caixinha com as repostas: O bispo Lyrio alega que o uso de células-tronco embrionárias na cura de algumas doenças, seria errado, pois “salvar um e matar outro não é resposta”. Mas que beleza, hein! Quer dizer, para o bispo salvar uma pessoa humana e matar um embrião, cujo destino jamais será - pelo menos com relação à maioria dos que estão congelados - tornar-se uma pessoa humana, é moralmente errado. Isso significa dizer que a preservação de um agregado de células congeladas deve se sobrepor à possibilidade de sua manipulação em favor da cura e da vida de pessoas humanas. Muito exótico esse pensamento. Que seja um ponto de vista moral, somente posso entendê-lo como um ponto de vista religioso e dogmaticamente moral. É muita agressão ao bom senso moral.
2 comentários:
Professor, acho que os padres e bispos querem que o embrião seja protegido como vida humana porque pensam que Deus acha que as coisas devem ser assim. É aquela historia. A vida é um dom de Deus e quem somos nós humanos para tirá-la. Teriam que provar a existência de Deus antes, não é?
Abraço.
Acredito que o problema esteja em defender a vida acima de tudo. Penso que esta máxima, a de que a vida é a coisa mais importante para o homem, causa problemas com ela própria. Dá caminho para totalitarismos e para perversões da própria moral. Se, ao contrário, a busuca da felicidade e a liberdade fossem as primeiras defesas, imagino que se chegaria a um estado de ordem e de moral muito mais facilmente e eficazmente. A igreja não admite que haja o bem fora do código de tradições morais dela. Até aí eu concordo; a igreja que defenda seu ponto de vista, mas não deve se meter a defender seus pontos de vista de maneira a impô-los para aqueles que não acreditam ou não a aceitam - como na constituição brasileira e nesse caso das pesquisas de células tronco.
Abraço, Aguinaldo.
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