08 março 2008

Beijos

Na Folha de Londrina de hoje há uma pergunta sobre beijo entre homens na TV. Num certo sentido é pregar no deserto querer afirmar aqui a total inconsistência argumentativa de quem se opõe ao homossexualismo, ou seja, daqueles que acreditam que devem ser proibidas ações que não impedem a liberdade dos outros. Dificilmente esse blog tenha leitores, dos poucos que têm, que acalentem alguma restrição séria ao homossexualismo. É verdade que determinadas pessoas consideradas inteligentes em alguns círculos têm ataques epilépticos quando se trata do homossexualismo. Lembro do intragável Olavo de Carvalho, cuja gloriosa existência me ofereceu a oportunidade e a emocionante honraria de demonstrar neste blog contra um discípulo seu, por sinal um discípulo muito inteligente, que ele não era um liberal.

Pois bem, se valesse a pena a discussão, a pergunta básica seria: um homem beijar na boca outro homem impede a liberdade de quem? Estou supondo evidentemente que o outro homem quer beijar. Logo, trata-se de uma ação em que as partes estão engajadas voluntariamente. Na verdade, para mim, sequer existe crime quando duas pessoas concordam em fazer algo cujos únicos atingidos serão elas mesmas. Por exemplo, para mim não é crime duas pessoas concordarem em que uma será objeto da volúpia canibalesca da outra. Para deixar mais claro, direi: quando seus interesses de primeira ordem são os únicos atingidos e as pessoas estão de acordo, não há crime. Que a tia não goste, que a mãe chore, tais desgostos e lágrimas se tratam apenas de interesses de segunda ordem atingidos. Todos têm interesse em não sofrer. Que alguém sofra com o fato da maioria das pessoas comemorarem o nascimento de Cristo, por elas considerado o Salvador, em 25 de dezembro, isso não é razão para impedir a comemoração. Não falo do feriado, que acho injustificável. Com nossas ações muitos sofrem, têm o que chamo de interesses de segunda ordem atingidos, mas não é isso que deve contar para uma proibição. Apenas as ações que impedem a liberdade de outrem devem ser proibidas.
E que homens beijem homens, mulheres beijem mulheres, homens beijem mulheres, tudo isso pode provocar muito sofrimento, é verdade. Imagine a garota lésbica vendo seu objeto de desejo trocando fluidos com um garoto. Que sofrimento! Embora seja possível e talvez até pertinente a garota sofredora questionar moralmente o comportamento da outra, jamais deveríamos pensar em leis que proibissem sua querida amiga de beijar um homem. Os outros casos são análogos.
Bem, nem merece comentário as alegações de que beijos entre homens não devem ser proibidos, desde que esses beijos não sejam ostensivos e públicos. A meu ver, quem quiser fazer trocas voluntárias de beijos, que faça quando e onde quiser. O máximo que poderão gerar tais encontros labiais será ferir interesses de segunda ordem, jamais a liberdade dos outros.