11 maio 2007

Carta aos Editores do Jornal Notícia da UEL

Segue abaixo carta que enviei por e-mail ao Jornal "Notícia" da UEL.


Editoria Jornal Notícia.
Prezados Senhores

Obs. Esta carta está publicada em meu blog

Gostaria, inicialmente, de agradecer a publicação de meu artigo “Redução da maioridade penal: considerações formais” (Notícia, edição de 09 de maio de 2007, nº 1123). Tenho, porém, a obrigação de registrar três críticas. Já tive a oportunidade de registrar junto aos senhores a primeira e segunda críticas. A primeira foi registrada em mensagem eletrônica. A segunda, em contato telefônico.

1. A matéria publicada trouxe uma única opinião, ainda que tenha entrevistado quatro professores. A matéria com os quatro professores apresenta uma só posição, ou seja, todos são contra a redução. A matéria tem, descontadas as imagens, aproximadamente 15.000 caracteres. Ora, eu fico impossibilitado de criticar os seus argumentos com um espaço tão desproporcional. Sei, evidentemente, que no meu caso se trata de um artigo e no deles de uma matéria. Mas, mesmo assim, acho razoável dividir melhor os espaços. Há várias pessoas que são a favor da redução da maioridade. Com efeito, numa matéria jornalística espera-se que temas polêmicos sejam tratados a partir da diversidade opinativa que eles carregam.

2. Meu artigo foi enviado para publicação no dia seguinte à publicação da matéria e esperava que ele fosse publicado na edição seguinte do jornal. Porém, isso não aconteceu. Perde-se assim o tempo oportuno do debate. Em geral, o jornal publica respostas e cartas nas edições seguintes aos objetos de debate.

3. Foram introduzidas indevidamente em meu artigo vírgulas e mais vírgulas, distorcendo o ritmo e, o mais grave, a própria correção gramatical das frases. Cito dois exemplos. Escrevi: “Por acaso, somente os que não são conservadores nem positivistas é que sabem tratar do essencial?”. Foi publicado: “Por acaso, somente, os que não são conservadores nem positivistas é que sabem tratar do essencial”. Não escrevi "somente" entre vírgulas. Outro exemplo: Escrevi: “[...] se nem aos adultos têm o que é requerido para que sejam punidos, então, eles deveriam deixar de ser punidos ou terem outro tratamento?”. Foi publicado: “[...] se nem aos adultos têm o que é requerido, para que sejam punidos, então, eles deveriam deixar de ser punidos outro ou terem tratamento?” Não escrevi “para” depois de vírgula. (Na verdade, nem deveria ter colocado vírgula depois de "então", mas esse é um erro meu). Um jornal de uma Academia deve ser mais cuidadoso no trabalho de revisão. Repugna-me ler um artigo que escrevi com erros que não cometi.

Esclareço, para que não surjam dúvidas sobre a motivação de minhas críticas, que elas têm um caráter amistoso e visam a evitar que erros assim se repitam.

Atenciosamente.

Aguinaldo Pavão
Prof. Filosofia UEL

2 comentários:

Aguinaldo Pavão disse...

RESPOSTA DO JORNAL NOTÍCIA (UEL)

Caro professor,

sobre a crítica sobre o tamanho do artigo gostaria que vislumbrasse um outro lado, creio eu, muito mais significativo do que alguns ou muitos caracteres a mais. Um artigo representa algo forte, de conteúdo analítico e de grande repercussão. Analisando bem, trata-se de algo até de maior impacto dentro de um jornal. Neste sentido acho que você conseguiu deixar claro o seu recado.

Sobre os erros gramaticais em seu artigo, gostaria de me desculpar. Temos um colega jornalista que faz a revisão dos textos e que preza pelas vírgulas, até demais - admito. No entanto seu texto não ficou errado, mas perdeu o ritmo que o autor imprimiu. Quero me desculpar e afirmar que tomaremos medidas para evitar isto, ou seja, revisaremos o artigo, mantendo-o como o autor o escreveu originalmente.

Aliás li outro dia um artigo seu na Folha. O professor tem seu estilo e muito nos interessa que esteja presente sempre também no Notícia. Tenho dito para os mais próximos que perseguimos um jornal da Universidade, que mostre projetos, idéias, propostas e problemas. Neste sentido gostaria que o professor nos quisesse sempre bem. Aceito suas críticas e sugestões e as acato. Ou como diria um grande amigo meu: jornal é produto para ser discutido e criticado e nunca está pronto.

E aqui eu volto a apelar para o professor:
Nos ajude a fazer nosso produto melhor
abraços e obrigado !!!
pedro

Aguinaldo Pavão disse...

Prezado Sr. Pedro Livroratti.

Muito obrigado pela resposta. Agrada-me perceber sua disposição para tornar o Notícia um jornal cada vez melhor.

Abraço.