10 janeiro 2007

A Arte da Prudência I

Pretendo nos próximos posts fazer algumas observações sobre o livro A Arte da Prudência de Baltasar Gracían. Em um de seus aforismos, ele afirma que “não há excelência sem esforço e capacidade, e se ambos estão juntos o resultado é ainda melhor. A mediocridade com esforço consegue mais que a superioridade sem ele”.
Eu discordo de Gracían. Penso que um homem superior prescinde do esforço. Um homem excelente faz coisas boas espontaneamente. Não diríamos que há esforço quando alguém está fazendo o que gosta. Um medíocre esforçado somente a duras penas poderá conseguir o que um superior consegue tranqüilamente sem esforço.

4 comentários:

Lg. disse...

O coração humano tem a odiosa tendência a só chamar de destino aquilo que o esmaga.

Aguinaldo Pavão disse...

Oi Luana.
Obrigado pela visita e comentário.
Permita-me dizer que tua frase está um tanto oracular. Não acha?
Fico sem saber se entendi ou não. Você quer dizer que o fatalismo somente é assumido quando coisas más acontecem? Sei que é pergunta de néscio, mas já perdi a vergonha de ser ignorante.
Um abraço e, mais uma vez, parabéns pelo teu blog.
AGUINALDO

Nicolas C. Piocoppi disse...

Aguinaldo .. tudo bem ? feliz ano novo .. (por acaso rs) ..Apropósito.. gostaria que desse uma olhada em um artigo que escrevi sobre a pena de morte em meu blog ... claro .. desde que tiver oportunidade - mudei o endereço daquele fotolog para "www.npiocoppi.blogspot.com" ..
.. achei muito bom o que disse nessa parte :

"Penso que um homem superior prescinde do esforço. Um homem excelente faz coisas boas espontaneamente. Não diríamos que há esforço quando alguém está fazendo o que gosta. Um medíocre esforçado somente a duras penas poderá conseguir o que um superior consegue tranqüilamente sem esforço.

Abraços,
Nicolas.
..

Aguinaldo Pavão disse...

Prezado Nicolas
Li o teu artigo e achei muito interessante [deixarei lá também esse comentário]. Concordo com muitas afirmações feitas por você. A vida está longe de se afigurar, para mim, como um bem incondicional. Não me oponho por princípio à pena de morte. Todavia, enquanto as punições legalmente estabelecidas no Brasil não representarem um elemento dissuasivo eficaz, não vejo com bons olhos a proposta de pena de morte. Ou seja, se as leis que existem [brandas em certos casos] não são a bom termo eficazes, criar leis mais severas parece-me inconsistente. Elas serão cumpridas? O aparato judiciário do Estado dará conta? Sou pouco otimista em relação a isso. De todo modo, em abstrato sou favorável à pena de morte. Sou favorável porque não vejo como se possa protestar contra a pena de morte dizendo que é injusta, ou, o que dá na mesma, que a pena de morte vá contra o direito humano básico, que é o direito à liberdade.
A tua compreensão ampla de suicídio não me agrada. Acho que devemos restringir a noção de suicídio à idéia de se pôr um termo VOLUNTARIAMENTE à própria vida.
Abraço e parabéns pelo texto.
AGUINALDO