28 janeiro 2007

A arte da prudência II


Gracían aconselha nunca exagerarmos. Ele afirma que o “sábio vai de vagar e prefere pecar por pouco do que por muito”. Tenho dúvidas. Como o sábio deve ser homem de ação, não um ser meramente contemplador, quer dizer, um sábio prático, não me parece certo que ele sempre deva evitar o muito (que seria maior pecado que o pouco). Isso é contraditório com outra passagem em que ele afirma que os sábios costumam pecar por serem lentos. Gracían hesita entre a alternativa da ação rápida (ele a aconselha dizendo que devemos “saber improvisar”) e ação lenta (recomendando a reflexão como algo mais seguro). Há uma mistura de hesitações e platitudes. É evidente que a improvisação é algo que devemos saber. Igualmente clara é a segurança conferida pela reflexão. Mas o ponto é a prudência, uma arte que deve levar em conta não meras elucidações conceituais (analíticas), mas a experiência, o domínio das probabilidades. Ora, ou a ação errada se encontra mais na cautela paralisante ou no atrevimento. E é o sábio teórico que tende à lentidão no agir, não o sábio prático.

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