
Na Ética a Nicômaco II.5.1105b29-32 lemos: “Ora, nem as virtudes nem os vícios são paixões, porque ninguém nos chama bons ou maus devido às nossas paixões, e sim devido às nossas virtudes ou vícios, e porque não somos louvados nem censurados por causa de nossas paixões (o homem que sente medo ou cólera não é louvado, nem é censurado o que simplesmente se encoleriza, mas sim o que se encoleriza de certo modo)”. Vejo dois problemas aí. Primeiro, o argumento parece incongruente, ou melhor, a conclusão é ociosa, pois o que se está a dizer é: (1) Somos chamados de bons ou maus devido às nossas virtudes ou vícios, não devido às nossas paixões. (2) Logo, nem as virtudes nem os vícios são paixões. Segundo, cabe perguntar: quem se encoleriza simplesmente e não de um certo modo? Se sempre nos encolerizamos de um certo modo, sempre somos responsáveis pelas nossas paixões? Se não sou responsável por sentir medo, então por que deveria ser responsável por sentir muito medo?
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