Foi uma noite longa e sombria a que caiu sobre mim, assombrada por fantasmas de muitas esperanças, de muitas e queridas lembranças, de muitos erros e muitas dores e arrependimentos inúteis.[...]Deixei tudo que me era mais caro e parti; e acreditava que havia sofrido tudo, e que tudo era passado. Como um homem num campo de batalha que recebe um tiro mortal mal sabe que foi atingido, eu, quando fui deixado sozinho com meu coração indisciplinado, não fazia ideia da ferida que teria de fechar.[...]Numa gradação imperceptível, tornou-se uma consciência desesperadora de tudo que eu perdera: amor, amizade, interesse; de tudo que fora destruído: minha primeira confiança, meu primeiro afeto, todo o castelo de nuvens de minha vida; e de tudo que restava: ruinas vazias e um interminável deserto que se estendia ao meu redor até se perder nas trevas do horizonte.(Charles Dickens. David Copperfield).
Mas Agnes não é uma miragem. O autoconhecimento não nos lança apenas nos abismos, ele também nos eleva a altitudes que descortinam verdades redentoras.

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