23 dezembro 2024

A irresponsabilidade do criador


A criatura emerge do nada. O que antes era matéria morta, pedaços cadavéricos, agora é um corpo animado. O criador a desassiste. Mas que criador, hein. O que ele achava? Ele achava que o destino de sua criatura seria qual diante do abandono? Era obra dele, ele estava implicado na criatura. 

A solidão da criatura
"Mas onde estavam meus amigos e parentes? Nenhum pai velara meus dias de infância, nenhuma bênção de mãe baixara sobre minha fronte, ou, se tal havia acontecido, tudo se havia diluído no borrão, no grande vazio em que consistia toda a minha vida passada. Até onde a memória podia alcançar, eu sempre fora, em proporção e estatura, o mesmo de então. Jamais vira um ser semelhante a mim, que eu pudesse considerar da minha espécie ou que tivesse qualquer relação comigo. Quem era eu? O que era eu? A pergunta voltava, constantemente ao meu espírito, sempre sem resposta”. (Mary Shelley. Frankstein