“O que vai ser daquilo que faço hoje, daquilo que vou fazer amanhã – o que vai ser de toda a minha vida? [...] Para que devo viver, para que desejar algo, para que fazer algo? [...] Existe, em minha vida, algum sentido que não seria aniquilado pela morte que me aguarda de modo inevitável?”[...]“Eu estaria mentindo se dissesse que foi por meio da razão que alcancei a conclusão a que cheguei”.
Não concordo com a resposta de Tolstói, mas me encanta a maneira como ele encaminha sua inquietação, a sua intensa busca de um sentido. Para mim, é admirável o fato de nos percebermos tão próximos de quem propõe, quanto ao conteúdo, algo que não sentimos (eu não sinto Deus, nada, zero), mas, ainda assim, reconhecermos algo de nós na sinceridade de seu questionamento. Como Tolstói soa sincero e autêntico. Que homem! O autor de Uma confissão faz-nos lembrar da bondade, simplicidade, espontaneidade e franqueza de Liévin, Pierre Bezukhov e Nekhliúdov. Que saudades de Guerra e paz, Anna Kariênina e Ressurreição.
