12 maio 2023

Mingau

“Delicioso romance filosófico”. “A elegância do ouriço conduz seus personagens e seus leitores às questões que nenhuma vida vivida a fundo deveria evitar: o tempo e a eternidade, a justiça e a beleza, a arte e o amor”. Essas são palavras manhosas colocadas na contracapa do livro. E eu caí nessa. É a vida. A gente sempre aprende alguma coisa (sempre? não, nem sempre). Achei que a história de uma zeladora de um prédio parisiense poderia ser uma grande história humana. Mas não. Pensei que uma bela história com um pouco de filosofia poderia arejar minha mente. Mas o livro tem muita filosofia e isso nunca é bom num romance, nunca é bom assim de forma tão explícita. Em suma, o livro é ruim. Pretensioso, sabedoria verborrágica, solilóquios presunçosamente profundos. Perda de tempo. Mingau. Deveria ter desconfiado mais (afinal o livro foi escrito no século XXI). Melhor eu ficar na minha, tentar desacelerar a respiração, sentar-me um pouco, relaxar. Melhor eu voltar para o meu canto (século XIX, primeira metade do século XX).