02 março 2023

As voltas que a vida dá

Ontem, eu era outro, quero dizer, eu pensava que o que hoje admito não poderia ser acolhido. Braços cruzados. Eu pensava que viver dessa ou daquela maneira era um erro. Eu fazia beicinho, torcia o nariz. Mas eu mudei. Foi uma vitória da minha razão? Não. Nego e renego. Nietzsche, pra variar, está certo. Dou um beijo amoroso no rosto dele. Leio, releio e minha concordância com o Bigode chega a 110%.
Agora lhe parece um erro o que outrora você amou como sendo uma verdade ou probabilidade: você o afasta de si e imagina que sua razão teve aí uma vitória. Mas talvez esse erro, quando você era outro – você é sempre outro, aliás -, lhe fosse tão necessário quanto as suas “verdades” de agora, semelhante a uma pele que lhe escondia e cobria muitas coisas que você ainda não podia ver. Foi sua nova vida que matou para você aquela opinião, não sua razão: você não precisa mais dela, e agora ela se despedaça e a irracionalidade surge de dentro dela como um verme que vem à luz (A gaia ciência. Trad. de Paulo César de Souza).

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