27 agosto 2022

A entrevistazinha de Lula ao JN

Achei lamentável a performance dos entrevistadores Bonner e Vasconcellos.  Lula teve uma ótima performance (julgo aqui a forma, não o conteúdo). O Bonner começou muito mole, com uma declaração que sugere uma simpatia pelo candidato (deveria disfarçar). 

Lula, grande demagogo e populista, teve bons momentos performáticos: a cacetada no Bolsonaro sobre os sigilos de 100 anos para as coisas desconfortáveis do governo atual, o papo de divergentes unidos contra antagônicos. Esse último geralmente cai bem no ouvido dos incautos.

Foi notável a falta de dignidade ao não querer assumir a responsabilidade pelo governo Dilma. Foi Lula quem decidiu que ela seria candidata pelo PT. A Dilma presidente é criatura dele. Falou dela como se fosse outro governo completamente diferente do seu, quando, na verdade, foi a continuação de seu governo.

De toda forma, preciso admitir que Lula ganhou o jogo. Nessa entrevista ele venceu bem, uns 4 x 0. (Bolsonaro ganhou de 2 x 0, lembram?). 

Mas eu gostei muito mais da entrevista de Bolsonaro. Nela havia tensão, havia vida. A de Lula pareceu-me um papinho “trankilis” demais, um faz de conta, um ok, ok. É verdade que talvez na de Bolsonaro também tenha tido esse faz de conta em alguns momentos, mas em termos comparativos ela foi interessante, percebia-se o ar carregado, as faces retesadas. 

Talvez, apenas um talvez, essas diferenças se devam ao fato de os jornalistas da Globo serem jornalistas mui, mui exemplares, mui, mui imparciais, impassíveis diante do candidato de sua preferência (quase estoicos). Será que foi isso? Mas que beleza esse jornalismo.