“De cem pessoas, talvez haja uma com quem valerá a pena disputar. Aos restantes deixemos falar o que bem entenderem, pois não ter juízo é um direito humano, e considere-se o que diz Voltaire: A paz é preferível à verdade; e diz um ditado árabe: 'Da árvore do silêncio pendem os frutos da paz.'" (Schopenhauer)
Como sempre, tudo depende de quem somos. Há pessoas que devotam profundo amor pela paz, são seres cordatos e mansos. Outras, talvez aquelas com as quais mais me assemelhe, oscilam entre o desejo de paz e o desejo de conflito (de tensão, tensãozinha trankilis, uma diversão de vez em quando). Há também as amantes incontinentes de embates verbais. Estas acham que as pessoas que delas discordam devem ser convencidas, dobradas às opiniões que elas, as duelistas, sustentam.
Eu estou na fase “paz e um abraço, até mais”, mas lamento esse estado. Seria tão bom sentir que vale a pena pelejar. Não exatamente que a verdade é preferível à paz (meu ceticismo impede esses arroubos de otimismo epistemológico), mas que a vida é preferível à paz (ui). Às vezes, a paz é um tanto mórbida, quero dizer, por demais débil. É uma pena. Mas, quando sentimos que não vale a pena, não há o que fazer.
(E o Miquitinha puxa meu braço, interrompe minha suave e solitária caminhada, pra dizer que há pessoas que apenas são medrosas, cagonas, covardes, e que há outras que são simplesmente lambedoras de botas e que, por isso, elas assumem posturas camaleônicas. Sem contar, ele continua, as que estão velhas e cansadas. Seriam não três classes, mas cinco ou seis classes de temperamentos em relação à paz e à beligerância. Pô, Miquitinha, não é uma tese antropológica, é só um momento facebook da vida. Com uma só uma gotinha já acontece a mágica).