"O que acontece quando a morte se aproxima? O que realmente acontece nesses momentos finais? Não estou falando de mortes violentas ou chocantes. Estou falando de quando você sabe que a morte está chegando. Quando você já se rendeu ao truque da mágica final, quando realmente desaparecemos de verdade. Sentei-me ao lado da cama e segurei a mão de amigos e pessoas queridas enquanto elas davam seu último suspiro. E posso dizer o seguinte. O soliloquio dramático no fim da vida é um absurdo completo. Se algo está sendo dito, é internamente. Quase conseguimos ouvir. Elas têm uma conversa interna repleta de incredulidade e admiração pelo fato de suas vidas estarem chegando ao fim. Mal percebem que você está ali. Para quem está morrendo, os vivos são irrelevantes".(Sandy Kominsky)
Será? A mim, parece razoável. Em A morte de Ivan Ilitch há um pouco disso, de admiração e incredulidade. E se na novela de Tolstói não dá pra dizer que para o moribundo os vivos são irrelevantes, certamente dá pra dizer que a solidão de Ivan o afunda num mundo próprio de assombros incomunicáveis. Eu vi uma vez algo parecido com o que diz o Sandy Kominski. Talvez tenham sido duas vezes, euzinho com meus olhos. Entendo o que Kominsky diz (e se dissesse algo diferente eu também entenderia, desde que sentisse sinceridade e gravidade nas palavras). Falando em russos, a morte de Bazárov (Pais e filhos) me causa uma pontinha de decepção com Turgueniev: uma morte deveras loquaz. Mas ali também há coisas interessantes sobre a morte, a Musagete da filosofia (Schopenhauer). A morte de Bazárov em Pais e filhos, um bom ponto para uma próxima oportunidade.

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