07 julho 2020

“Cidadão, não; engenheiro civil, formado, melhor do que você”

O que eu ouvi, ou li, ou sonhei, não sei mais, era algo como: “burro, idiota, gado ..., eleitor do Bolsonaro tem de se fuder mesmo”. E para a não surpresa de ninguém a mesma pessoa, mui compreensiva e tolerante, bradava contra o que chamava de arrogância e patifaria de uma mulher que falou “"Cidadão, não; engenheiro civil, formado, melhor do que você". A pessoa do "tem de se fuder" também se achava melhor que os outros, um pecado que - dizem - não se deve confessar. Ah, mas um indivíduo se considerar moralmente melhor que alguém, melhor que seres da estirpe da mulher da frase “cidadão, não, ...” é algo saudável, ora, ora. Ok, é saudável, eu também acho. Quer dizer, “ok, maybe”. Concordo em partes. A arrogância moral não me desce bem, em que pese sentir aversão à turminha do “cidadão, não, engenheiro civil".

Quando pisamos muito em alguém nossa indignação vira pose, ostentação de virtude (nesse caso), o que não me parece combinar muito com a virtude. O conforto da superioridade, seja intelectual ou moral, geralmente nos afasta de nós mesmos. Por isso, talvez, seja bom descobrirmos pessoas como o casal do “Cidadão, não, ..”, pois é conveniente nos afastamos de nós mesmos, de nossas misérias (às vezes ou frequentemente).

É difícil escapar dessas armadilhas mentais. Se pudéssemos calibrar a indignação e a censura seria bom. Mas não é fácil...A vida é difícil e tal ...