10 maio 2020

Amor de mãe


O deleite que as mães sentem em amar talvez seja a melhor instância empírica da ideia de que a amizade reside, ou deveria residir, antes em amar do quem em ser amado (era mais ou menos isso que pensava o Aristóteles, no que estava muito certo). As mães amam seus filhos sem procurar ser amadas em troca (quando isso não é possível). Elas “amam seus filhos mesmo quando estes, por ignorância, não lhes dão nada do que se deve a uma mãe".


Claro que isso, como habitualmente acontece com os assuntos humanos, tem validade geral, não absoluta. Há pais que amam com amor maternal e mães em cujo peito viceja o mais desprezível egoísmo. Além do mais, os afetos maternais, como todos os afetos, são inconstantes. Mas deixemos isso de lado, deixemos os detalhes para as almas juvenis e ranhetas (até porque elas não se interessariam pelo que escrevo). Contentemo-nos com visões aproximativas.

Bom, o que queria dizer – vamos lá - é que me ocorreu nessa data, mais uma vez, lembrar-me de Aristóteles quando minha mente foi, num átimo, a Passo Fundo e vi e senti o rosto e os olhos amáveis de minha adorada mãe Teresinha. E também, é claro, quando pensei na Any, na mãe maravilhosa que ela é, no zelo incansável que ela dedica às nossas filhas.

Feliz dia das mães a elas e a todas as mães que amam com amor de mãe, que amam sem procurar ser amadas em troca (quando isso não é possível, pois nem sempre é possível). Feliz dia das mães para aquelas que, por vezes, sofrem ruminando a ambiguidade e impureza do amor, de toda e qualquer forma de amor.