29 março 2019

Ditadura militar

Como comemorar cassação de parlamentares? Como comemorar a perseguição de opositores que jamais pegaram em armas? Como comemorar a censura, é, censura, censura, por exemplo, a letras de músicas que poderiam, segundo os mandatários, estimular sentimentos de insatisfação? E nem vou falar em tortura, porque nesse caso a infâmia moral dos seus perpetradores e de seus defensores é repugnante. Em suma, e simplesmente, como comemorar uma ditadura? Ditadura, sim, e como tal, abjeta, criminosa.

Ah, poderia dizer alguém que vive nesse planeta, "eu sou mesmo é contra a ditadura em Cuba, na Venezuela, Coreia do Norte". Pois eu, ó ser imaginário, esperaria que você, por coerência, fosse contra todas as ditaduras. Eu sou contra todas. Que fique claro: nem todos os que se opuseram e se opõem à ditadura militar eram ou são defensores de esquerdistas guerrilheiros. O inimigo do meu inimigo não é meu amigo. Dispenso o papinho de “ah, se não fosse a ditadura dos militares, seria a ditadura da esquerda”. Que uma tal criatura hipotética, com esse papinho, diga isso quando estiver debatendo com um esquerdista defensor da violência (ok, maybe), mas que ela não venha com essa estupidez pra cima de mim; esse papo não cola num libertário. Aliás, com defensores de torturadores eu quero distância, distância moral, física e metafísica. Com esses, não há o que disputar no terreno dos argumentos. E é deveras importante lembrar que isso também vale pra aquele ser (que só existe na ficção), aquele serzinho esquerdista defensor de Castros, Maduros e imaturos.