18 março 2018

O cadáver de Marielle é um cadáver comum?

Não acho. Somente seria se fosse feita abstração do contexto da sua morte e de quem ela era politicamente. A morte dela, então, é mais importante que a morte de outras pessoas vítimas da violência no Rio de Janeiro? Não. Se pensarmos em importância meramente moral, certamente não. Mas nós não pensamos que as coisas que acontecem no mundo têm um significado apenas moral. Elas também possuem significados políticos, sociais, históricos, econômicos e outros mais. Algumas pessoas pensam que para considerar Marielle uma vítima invulgar da violência no Rio você tem de estar filiado ao Psol ou defender o socialismo. Quer dizer, somente esquerdistas seriam propensos a ver no que ocorreu na capital fluminense algo politicamente relevante ou de dar um destaque à morte da vereadora. Bom, de minha parte, as coisas não funcionam assim. Eu me sensibilizo sim com a morte da vereadora e acho que o acontecimento tem um significado especial. Porém, também acredito que esse Psol, já pelo próprio nome, representa uma confusão mental medonha (seria como o partido do círculo quadrado, pois, a meu ver, ou você defende o socialismo, ou você defende a liberdade). Eu me impressiono com a morte da vereadora e penso que o capitalismo é uma condição para a liberdade (o socialismo sempre implica diminuição da liberdade individual). Mesmo assim, não penso que a vereadora, por ser de esquerda, foi vítima das ideias que disseminou. Peraí malandrinho de direita. Marielle Franco por acaso disseminou ideias a favor de execuções, a favor do assassinato de inocentes? (Porque você defender ideias equivocadas não te torna um ser criminoso que merece ser aniquilado, que merece ter sua voz calada, sua vida ceifada). Na boa, é possível ser antiesquerdista e também antidireitista. Nesses momentos eu percebo como a ideologia pode envenenar o pensamento das pessoas.
Embora aqui eu talvez tenha magoado o pessoal da direita, preciso dizer que considero a turminha da esquerda igualmente lamentável (agora não falo mais apenas conceitualmente). Eles não conseguem ver o que acontece no mundo sem falar em racismo, machismo, violência da elite branca, ah, a burguesia, o golpe de 2016, fora Temer e blábláblá. É dose pra mamute.